Inovação

Como o acordo entre Brasil e Argentina para fortalecer a indústria automotiva impacta no setor de seguros

Integração regional impulsiona modernização tecnológica e abre novas oportunidades para seguros automotivos no mercado latino-americano.
Como o acordo entre Brasil e Argentina para fortalecer a indústria automotiva impacta no setor de seguros

Integração regional como motor de transformação

O acordo entre Brasil e Argentina não se limita a uma aproximação econômica pontual, mas é uma estratégia para enfrentar as transformações da indústria automotiva global. Com a participação de entidades como Anfavea, Adefa, Sindipeças e Afac, as negociações têm como foco a atualização do ACE 14 (Acordo de Complementação Econômica nº 14), tratado bilateral que regula o comércio de veículos e autopeças entre os dois países, definindo regras como tarifas, cotas e requisitos de conteúdo local. A iniciativa busca reposicionar o Mercosul como um polo produtivo e exportador, em um mercado que reúne cerca de 350 milhões de consumidores, com potencial de produção de 5 milhões de veículos e que já recebeu mais de US$ 22 bilhões em investimentos nos últimos três anos. O setor representa 20% do PIB industrial brasileiro e 8,4% do argentino, além de responder por 55% a 70% das exportações intrarregionais e gerar quase 2 milhões de empregos diretos e indiretos. Com isso, a aproximação entre os países pode fomentar a inovação, inclusive no setor de seguros, que tende a evoluir junto com as novas demandas e regras no segmento de automóveis.

Acordos em blocos e reflexos nos setor automotivo e de seguros

Os acordos comerciais entre países vizinhos, como Brasil e Argentina, além de reduzir tarifas, podem trazer ganhos produtivos. Em 2025, por exemplo, a decisão dos países de zerar impostos de importação para autopeças, especialmente aquelas sem produção local, teve como objetivo reduzir custos, facilitar o fluxo de comércio bilateral e aumentar a competitividade da indústria automotiva na região. Essas alianças fortalecem a cadeia produtiva, ajudando na eficiência do mercado e acelerando a incorporação de novas tecnologias. No setor de seguros, os efeitos também são relevantes: a maior integração entre os mercados estimula a cooperação entre seguradoras de diferentes países, favorecendo o desenvolvimento de produtos mais alinhados às particularidades regionais e às novas demandas da mobilidade. Em uma visão mais ampla, acordos desse tipo reforçam a competitividade coletiva frente a mercados globais cada vez mais disputados, permitindo que os países atuem de forma mais coordenada, com ganhos em escala, inovação e capacidade de atração de investimentos.

A nova era dos veículos e os desafios para o seguro

A eletrificação da frota brasileira já mostra sinais claros de consolidação. Os carros 100% elétricos passaram a representar cerca de 40% das vendas dentro do segmento de eletrificados, que já alcança 17,4% de participação no mercado, avanço impulsionado tanto pela evolução tecnológica quanto pela crescente presença de montadoras chinesas. Dados da Bright Consulting indicam que o mercado de veículos leves somou 104,7 mil emplacamentos no período analisado, com crescimento de 2,9% em relação a março e de 4,7% na comparação anual. No acumulado do ano, o volume chega a 701 mil unidades, uma alta de 13,7%, sinalizando um cenário de crescimento consistente, ainda que mais estável do que acelerado. Nesse cenário, iniciativas de integração regulatória, como a aproximação entre Brasil e Argentina, tendem a acelerar a disseminação dessas tecnologias na América Latina. Para o setor de seguros, o desafio deixa de ser apenas acompanhar o crescimento da frota e passa a envolver a compreensão de novas variáveis técnicas e operacionais. A precificação, por exemplo, torna-se mais complexa. Veículos eletrificados concentram custos elevados, especialmente nas baterias e nos sistemas embarcados, além de demandarem infraestrutura de recarga ainda em expansão e mão de obra especializada para reparos. Ao mesmo tempo, a presença de sensores e softwares altera a dinâmica dos sinistros, exigindo novos modelos de análise e subscrição. 

A base para novos modelos de negócio

À medida que a frota eletrificada cresce, o setor segurador pode ter uma oportunidade de expansão e sofisticação de seus produtos. A padronização de processos e o uso de tecnologias como telemetria e rastreamento impulsionam modelos mais dinâmicos, como seguros baseados em uso (UBI) e soluções paramétricas, que ampliam a personalização, melhoram a gestão de sinistros e fortalecem o combate a fraudes.

Nesse cenário, o uso de dados em tempo real e as parcerias entre seguradoras e startups viabilizam produtos mais inteligentes e incentivam comportamentos mais seguros. A aproximação entre Brasil e Argentina abre caminho para a ampliação das operações no âmbito regional. Seguradoras passam a ter mais espaço para explorar ofertas transfronteiriças, enquanto corretores podem diversificar seus portfólios com soluções mais inovadoras e alinhadas à mobilidade sustentável, o que reduz a dependência de produtos tradicionais e fortalece a atuação em um mercado cada vez mais integrado e competitivo.

O peso do seguro automotivo e o potencial de crescimento

O seguro automotivo já desempenha um papel central no mercado brasileiro e tende a ampliar ainda mais sua relevância com os avanços tecnológicos e o acordo com a Argentina. A entrada de veículos mais modernos e conectados eleva a demanda por coberturas específicas, serviços personalizados e soluções inovadoras, criando novas frentes de crescimento para o setor. Paralelamente, o fortalecimento da indústria automotiva regional pode aumentar a competitividade internacional dos dois países, favorecendo investimentos e aquecendo a América Latina como um polo emergente de inovação, inclusive no desenvolvimento de soluções de seguros mais relevantes e alinhadas às transformações da mobilidade. A integração entre Brasil e Argentina inaugura uma fase de mudanças estruturais para os setores automotivo e de seguros. A combinação entre tecnologia, regulação harmonizada e troca de dados exige uma postura mais estratégica por parte das seguradoras e da indústria automotiva de forma geral.

Postado em
20/4/2026
 na categoria
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