Volvo realiza recall de 40 mil SUVs elétricos EX30 por risco em baterias e reforça desafios para o mercado de seguros automotivos

Recall de SUVs da Volvo indica problemas com baterias de elétricos
A Volvo anunciou o recall de cerca de 40 mil unidades do SUV elétrico Volvo EX30 devido a um risco potencial de incêndio nas baterias de alta tensão. A medida, divulgada pela Reuters, envolve a substituição de módulos dos pacotes de bateria e pode gerar custos próximos de US$ 200 milhões, em um momento em que a montadora, controlada pela chinesa Geely, executa um plano de redução de despesas. Ao todo, 40.323 veículos nas versões Single-Motor Extended Range e Twin-Motor Performance serão afetados. Após a divulgação da notícia, as ações da Volvo registraram queda de 4%. Além do impacto financeiro, o caso também pressiona as seguradoras e órgãos do setor a revisarem critérios de análise, precificação e cobertura diante da crescente complexidade técnica dos veículos elétricos e dos riscos atrelados às baterias.
Baterias de alta tensão: riscos elétricos, térmicos e químicos
As baterias de alta voltagem, embora variem conforme o fabricante, compartilham um conjunto de riscos que exigem protocolos rigorosos de segurança. Mesmo desconectadas, elas mantêm energia armazenada, o que pode provocar choques elétricos. Componentes como airbags podem permanecer energizados após o desligamento do veículo, e falhas como curtos-circuitos podem gerar arcos elétricos, explosões e queimaduras, especialmente em casos de colisão com fiação exposta.
Entre os eventos mais críticos está a chamada fuga térmica, quando o superaquecimento das células desencadeia uma reação química em cadeia, levando a incêndios de difícil controle e até explosões. Além disso, a bateria pode voltar a incendiar mesmo após o fogo ter sido aparentemente extinto. Há ainda riscos químicos associados aos eletrólitos, que podem causar corrosão, queimaduras e problemas respiratórios, principalmente quando a bateria sofre danos, superaquecimento ou sobrecarga. É preciso também o cuidado com o manuseio deste componente, visto que o peso de algumas baterias podem variar entre 300 e 600 quilos, e isso demanda a utilização de equipamentos adequados de transporte, para prevenir acidentes durante a movimentação.
Baterias de VEs são seguras, mas erros podem danificar sistemas
No que se refere a problemas com os VEs, segundo uma matéria do News Motor, o principal equívoco que pode comprometer a bateria de um veículo elétrico está ligado aos cuidados e à manutenção do sistema de alta voltagem, componente mais caro e sensível do carro. Enquanto muitos motoristas ainda têm dúvidas sobre desgaste e falhas, fabricantes oferecem garantias longas (até oito anos ou cerca de 160 mil km) e sistemas que monitoram em tempo real o estado da bateria. No Volvo EX30, por exemplo, há uma função na central multimídia que mostra a saúde da bateria, semelhante ao diagnóstico de baterias em smartphones. Especialistas destacam que qualquer intervenção no sistema de alta tensão deve ser feita apenas em concessionárias autorizadas, pois o manuseio inadequado pode causar choques ou danos irreversíveis. Mesmo fora da garantia, oficinas especializadas existem, mas precisam de técnicos e equipamentos de proteção adequados para lidar com altos níveis de energia. Ao contrário do que muitos imaginam, colisões leves raramente destroem a bateria, módulos individuais permitem a substituição apenas das partes afetadas. Com manutenção preventiva e uso correto, a vida útil das baterias pode ultrapassar uma década, mostrando que a tecnologia é mais resiliente do que muitos mitos sugerem.
Seguro auto acompanha avanço dos eletrificados
O mercado brasileiro de veículos elétricos e híbridos iniciou 2026 em ritmo acelerado. Dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) apontam 23.706 emplacamentos de leves eletrificados em janeiro, um salto de 88% sobre o mesmo mês de 2025. Com isso, esses modelos passaram a responder por 15% das vendas totais de carros leves no país, dados principalmente pelos plug-in, elétricos puros (BEV) e híbridos com recarga externa (PHEV), que já somam 10% do mercado. A expansão da frota eletrificada impacta diretamente o seguro auto. Embora mantenham coberturas tradicionais, esses veículos exigem garantias adicionais voltadas à tecnologia embarcada e aos sistemas de alta tensão, como proteção para cabos e carregadores, assistência em pane elétrica, remoção até pontos de recarga e reparos em oficinas especializadas. O movimento já aparece nos números das seguradoras. A Bradesco Seguros registrou crescimento de 300% na contratação de seguros para carros elétricos no primeiro semestre de 2025, o maior avanço da companhia nesse segmento. Dito isso, sustentar esse ritmo pedirá das seguradoras maior domínio técnico, revisão de processos e desenvolvimento de coberturas específicas para riscos emergentes, especialmente aqueles ligados a falhas em baterias e sistemas eletrônicos.
Regulação e padronização ganham espaço na agenda do setor
A expansão dos veículos eletrificados também começa a mobilizar o ambiente regulatório. Órgão reguladores do setor, por exemplo, como a Susep, devem acompanhar de perto as mudanças no setor automotivo e seus reflexos sobre a estrutura dos produtos de seguro. A tendência é que futuras diretrizes avancem na definição de parâmetros mais técnicos para mensuração de riscos ligados a baterias de alta tensão, sistemas eletrônicos embarcados e eventuais eventos de fuga térmica. Isso pode incluir exigências mais claras sobre limites de cobertura, critérios de precificação, padronização de cláusulas e requisitos mínimos de informação ao consumidor. Além de promover maior previsibilidade jurídica, o fortalecimento regulatório tende a estimular a transparência contratual e aprimorar a proteção ao segurado, ao mesmo tempo em que oferece às seguradoras um ambiente mais estruturado para inovação.
Entre inovação e responsabilidade
O recall do Volvo EX30, anunciado pela Volvo mostra que a transição para a mobilidade elétrica requer maturidade proporcional à velocidade da inovação. Se por um lado os veículos eletrificados representam evolução tecnológica e ambiental, por outro, introduzem complexidades que desafiam montadoras, seguradoras, reguladores e consumidores. Para o seguro automotivo, o episódio lembra que é necessário compreender profundamente baterias, sistemas de alta tensão, telemetria e riscos térmicos. A precificação, além de considerar variáveis conforme o condutor, também demanda grande análise tecnológica e monitoramento contínuo. O crescimento acelerado dos eletrificados no Brasil indica que essa transformação é irreversível e, por isso, também cabe aos órgãos reguladores, determinarem normas, indicando parâmetros mais sólidos para a realidade dos VEs, equilibrando inovação e proteção. Diante dessa nova engenharia, o diferencial competitivo do mercado segurador será a capacidade de antecipar cenários, adaptar produtos e transformar tecnologia em confiança.


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