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star dentro de casa, em outros tempos, era sinônimo de segurança. Bastava trancar portas e janelas para que as pessoas se sentissem protegidas. Hoje, essa sensação já não é garantida. Com um simples clique no celular ou computador, qualquer pessoa pode estar exposta a riscos que vão além do mundo físico. Fraudes bancárias, invasão de contas, roubo de identidade e golpes sofisticados ocorrem sem que a vítima perceba, transformando dispositivos pessoais em verdadeiras portas abertas para criminosos. Até mesmo ligações telefônicas, um recurso tradicional de comunicação, tornaram-se alvo de ameaças. Golpistas se aproveitam de chamadas falsas para obter dados sigilosos, manipulando informações com engenharia social refinada. O que antes parecia seguro tornou-se uma zona de risco constante, exigindo novas formas de proteção.

A conectividade impôs vulnerabilidades que desafiam de usuários comuns até grandes corporações

A consequência dessa exposição vai além da esfera digital. Os impactos desses crimes são sentidos diretamente na vida real das pessoas. Uma senha vazada pode levar ao esvaziamento de contas bancárias, um CPF clonado pode resultar em dívidas desconhecidas e um perfil hackeado pode ser utilizado para aplicar golpes em amigos e familiares. Para empresas, um vazamento de dados pode comprometer anos de credibilidade e resultar em perdas financeiras irreparáveis. A conectividade irrestrita trouxe facilidades, mas também impôs vulnerabilidades que desafiam tanto usuários comuns quanto grandes corporações. Sem a garantia de que seus dados estão protegidos, a sociedade moderna vive refém de uma ameaça invisível, onde a qualquer momento um simples descuido pode desencadear prejuízos de grandes proporções.

Os ataques digitais estão se tornando mais sofisticados

De acordo com o Índice de Ameaças Cibernéticas 2025, elaborado pela empresa de seguros Coalition e divulgado pelo portal Insurtech Insights, os ataques digitais estão se tornando mais sofisticados, explorando falhas em dispositivos de segurança. O levantamento mostra que 58% dos incidentes de ransomware tiveram origem em vulnerabilidades em Redes Privadas Virtuais (VPNs) e firewalls, superando outras formas de invasão. A projeção para 2025 é alarmante: mais de 45 mil novas vulnerabilidades de software devem ser identificadas. 

64% das empresas brasileiras enfrentam fraudes e ataques digitais com frequência média ou alta

No Brasil, um estudo encomendado pela Mastercard ao Instituto Datafolha revelou que 64% das empresas enfrentam fraudes e ataques digitais com frequência média ou alta, refletindo um aumento de 7% em relação a 2021. Apesar da preocupação com a segurança digital, 23% das empresas ainda não incluem a cibersegurança como prioridade no orçamento. Esse descuido pode ter consequências sérias, especialmente para pequenas e médias empresas (PMEs), que representam 96% dos novos empreendimentos no país e possuem menos estrutura para lidar com ataques digitais. Os seguros cibernéticos são importantes porque atuam como um amortecedor financeiro, cobrindo prejuízos causados por ataques e ajudando empresas a se reerguerem após incidentes de segurança.

Além das empresas, 24% dos brasileiros com mais de 16 anos foram vítimas de golpes digitais em 12 meses

Não são apenas empresas que enfrentam riscos digitais. Segundo pesquisa do Instituto DataSenado, 24% dos brasileiros com mais de 16 anos foram vítimas de golpes digitais em 12 meses (entre outubro de 2023 e o mesmo mês de 2024), totalizando mais de 40 milhões de pessoas afetadas por crimes como fraudes bancárias e clonagem de cartões. O estudo ainda mostra que não há um perfil socioeconômico definido para as vítimas, o que indica que qualquer pessoa pode ser alvo de ataques. Para um cidadão que está passando por uma circunstância como essa, os seguros podem oferecer um suporte importante, cobrindo perdas financeiras decorrentes de golpes digitais e auxiliando na recuperação de identidades comprometidas.

Perdas com crimes digitais devem atingir US$ 12 trilhões em 2025

No âmbito global, os prejuízos causados por crimes cibernéticos devem atingir a marca de US$12 trilhões em 2025, conforme estudo mencionado pelo presidente do Instituto Brasileiro de Segurança, Proteção e Privacidade de Dados (IBRASPD), Allex Amorim, durante o webinar "Seguro Cibernético: Tipos de Riscos e Soluções de Seguros!", promovido pela CNseg e FenSeg. No Brasil, o crescimento de 67% nos ataques no segundo trimestre de 2024 reforça a necessidade de proteção eficaz contra ameaças digitais. Mesmo com um desempenho relativamente melhor que o de outros países da América Latina, o Brasil continua sendo o terceiro mais afetado por ataques de ransomware, modalidade em que criminosos bloqueiam sistemas e exigem pagamento para liberar os dados.

Iniciativa regulatória da Susep tem foco em desenvolver estudos sobre proteção digital no setor segurador

Considerando esse todo esse quadro, iniciativas regulatórias também começaram a ganhar espaço. A Susep criou o Grupo de Trabalho "Seguros e Segurança Cibernética". A criação desse grupo, estabelecido pela Susep em 2024, tem o objetivo de desenvolver estudos sobre proteção digital no setor segurador. Isso demonstra que a preocupação com cibersegurança não está restrita ao setor privado, mas também faz parte de um esforço mais amplo para desenvolver soluções eficazes de proteção digital no Brasil.

Se antes a sensação de segurança estava ligada ao ambiente físico, hoje ela depende de medidas que protejam o espaço digital

A proteção digital vai muito além da adoção de softwares de segurança ou medidas preventivas básicas. O impacto financeiro, reputacional e estrutural dos ataques cibernéticos exige soluções que ofereçam suporte contínuo e capacidade de recuperação. Os seguros cibernéticos não eliminam a necessidade de boas práticas de proteção, mas podem ser um recurso essencial para minimizar prejuízos e garantir estabilidade diante das ameaças digitais. Se antes a sensação de segurança estava ligada ao ambiente físico, hoje ela depende de medidas que protejam o espaço digital. Nesse sentido, contar com um seguro adequado é um passo importante para que indivíduos e empresas possam, novamente, sentir-se seguros dentro de suas próprias casas e espaços comerciais, sem receio de que um simples toque na tela do celular ou clique no mouse possam colocar informações sensíveis em risco.

Postado em
18/3/2025
 na categoria
Inovação

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