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Alerta laranja de temporal em São Paulo reforça importância da inovação no setor de seguros para gestão de riscos climáticos

Como a tecnologia e a análise preditiva podem transformar a atuação de seguradoras diante de eventos extremos?
Alerta laranja de temporal em São Paulo reforça importância da inovação no setor de seguros para gestão de riscos climáticos

Alerta laranja chama atenção para chuvas intensas no Sudeste

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu na quarta-feira (18) um alerta laranja para chuvas intensas e ventos fortes em grande parte do estado de São Paulo, além de áreas do Rio de Janeiro, Paraná e Minas Gerais. A classificação representa situação de perigo e ocupa o segundo nível mais alto na escala do órgão, ficando abaixo apenas do alerta vermelho. De acordo com o instituto, o volume de chuva pode variar entre 30 e 60 milímetros por hora, ou alcançar acumulados diários entre 50 e 100 milímetros. As rajadas de vento podem chegar a 100 km/h. O aviso abrange praticamente todo o território paulista, além de regiões como o Triângulo Mineiro, Sul Fluminense, Zona da Mata, Oeste e Sul de Minas, Norte Pioneiro do Paraná e as regiões metropolitanas de Belo Horizonte, São Paulo, Curitiba e Rio de Janeiro. O recado desses alertas acende discussões sobre preparação e prevenção diante do risco de eventos climáticos extremos. No ramo de seguros, o cenário indica a importância de aprimorar modelos de subscrição e investir em estratégias alinhadas à nova dinâmica de riscos, especialmente em áreas urbanas densamente povoadas, onde o potencial de perdas materiais e financeiras é elevado.

Catástrofes naturais e lacuna de proteção

O aumento no volume de tempestades, enchentes e vendavais tem redesenhado o mapa de riscos e pressionado órgãos e entidades responsáveis por uma postura preventiva. Para conter e resguardar a população dos danos provenientes desses eventos, os seguros podem ser uma saída, ainda que seja necessário recalcular a rota para entender de que forma é possível oferecer cobertura em tais situações. Segundo a Swiss Re, a América Latina registra uma lacuna de proteção superior a 80% na última década, sinal de baixa cobertura diante de perdas recorrentes. O relatório sigma aponta que as perdas seguradas globais por catástrofes naturais somaram US$ 137 bilhões no último ano, dentro da tendência recente, com predominância dos chamados riscos secundários. Na América Latina, 26 eventos geraram US$ 11,6 bilhões em prejuízos em 2024, mas apenas US$ 1,5 bilhão estava segurado. Em dez anos, as perdas econômicas atingiram US$ 100 bilhões, com cobertura de apenas US$ 19 bilhões, uma lacuna de 81%. No Brasil, a enchente no Rio Grande do Sul marcou o maior prejuízo segurado já registrado para inundações no país, alcançando US$ 1 bilhão.

Perdas menores no ano, risco estrutural mantido

Uma estimativa preliminar da Swiss Re indicou que 2025 teve perdas globais menores porque os furacões mais intensos não atingiram os Estados Unidos, mercado que concentra grande volume de ativos segurados. Ainda assim, conforme a matéria publicada no portal Notícias do Seguro da CNseg, foi o sexto ano seguido com perdas acima de US$ 100 bilhões, consolidando um novo patamar estrutural de custos. As tempestades severas (tornados, granizo e enchentes) responderam por cerca de US$ 50 bilhões, tornando o ano o terceiro mais caro da história para esse tipo de evento. Os EUA concentraram 83% das perdas seguradas, incluindo cerca de US$ 40 bilhões em incêndios florestais em Los Angeles. O recuo pontual não sinaliza redução do risco climático, mas efeito geográfico circunstancial. A exposição segue crescente, especialmente em regiões subseguradas, o que impõe ao mercado o desafio de reequilibrar carteiras, revisar limites e ampliar a cobertura onde há maior lacuna de proteção.

Internet das Coisas e gestão proativa de riscos

Soluções de Internet das Coisas (IoT) incorporadas a imóveis, como sensores de umidade, medidores de vibração e dispositivos de monitoramento estrutural, podem aumentar significativamente a capacidade de prevenir e mitigar riscos antes que se transformem em sinistros. Esses equipamentos capturam dados em tempo real sobre condições físicas e ambientais da propriedade, fornecendo uma visão contínua do seu estado. Com esse fluxo constante de informações, as seguradoras podem detectar sinais precoces de problemas, mas também ajustar coberturas de maneira dinâmica. 

Inteligência artificial e análise preditiva como aliadas

A adoção de inteligência artificial na análise de dados climáticos e de sinistros transforma a forma como o setor de seguros entende e gerencia riscos. Ferramentas avançadas conseguem identificar padrões em tempo real e cruzar essas informações com históricos de perdas, permitindo antecipar situações de risco e segmentar coberturas com maior precisão. Plataformas que integram dados meteorológicos, geoespaciais e perfis de clientes possibilitam não apenas personalizar apólices, mas também ajustar limites de cobertura de acordo com o nível de exposição de cada risco. Essa capacidade de rastrear e interpretar variáveis complexas representa mais que uma tendência tecnológica: é uma mudança estrutural na subscrição. Ao incorporar tecnologia capaz de rastrear novos riscos, as seguradoras podem elevar a eficiência de suas decisões estratégicas e operacionais, diminuir incertezas em ambientes de alta volatilidade climática e aumentar a resiliência do portfólio frente a eventos extremos.

Parcerias e ecossistemas climáticos

Enfrentar os riscos climáticos exige atuação integrada. A articulação entre seguradoras, órgãos meteorológicos e startups especializadas em tecnologia climática tem ampliado a capacidade de modelar cenários, refinar a precificação e compreender melhor a exposição ambiental. O conjunto de dados meteorológicos, imagens de satélite e informações urbanísticas em plataformas unificadas, favorece o mercado com bases mais consistentes para decisões de subscrição. 

Do alerta à ação: a bússola do seguro climático

Em um cenário de perdas recorrentes, lacunas de proteção expressivas e eventos cada vez mais imprevisíveis em intensidade e localização, o setor de seguros precisa agir antes que o próximo temporal chegue. A boa notícia é que as ferramentas já estão à disposição. Inteligência artificial, IoT, análise preditiva e integração de dados geoespaciais permitem migrar de um modelo reativo para uma lógica orientada por antecipação e monitoramento contínuo. A indústria passa a atuar como gestora de risco em tempo real, mas tecnologia isolada não resolve. A transformação exige revisão de portfólios, novos formatos de cobertura, estímulo à cultura de prevenção e ampliação da proteção em regiões historicamente subseguradas. Parcerias estratégicas e ecossistemas colaborativos são elementos relevantes para sustentar decisões mais precisas e aumentar a resiliência do mercado. Se o clima impõe volatilidade, a inovação pode oferecer direção. Antecipar riscos, agir com agilidade e oferecer soluções ajustadas à nova realidade climática é o caminho para preservar não apenas patrimônios, mas a própria sustentabilidade do negócio segurador em um ambiente que tende a se manter instável.

Postado em
20/2/2026
 na categoria
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