Inovação e proteção: como o setor de seguros pode apoiar profissionais afetados por acidentes de trabalho graves

A história de David Holmes: uma carreira interrompida por acidente em set
Uma reportagem do Fantástico exibiu o grave acidente que deixou tetraplégico o dublê David Holmes, conhecido por atuar na franquia Harry Potter, expõe a vulnerabilidade de profissionais que trabalham sob riscos extremos. Desde a infância, Holmes construiu a carreira testando os limites do próprio corpo, vindo a se tornar ainda na adolescência o dublê oficial de Daniel Radcliffe, participando de sete filmes da saga. Em 2009, durante a gravação de uma cena de ação, uma falha na manobra com cabos provocou uma colisão violenta que rompeu sua medula cervical, o que provocou a perda dos movimentos do pescoço para baixo. Após meses de internação e diversas cirurgias, o dublê precisou reorganizar a própria vida diante de sequelas permanentes. Acidentes desse tipo afetam a identidade, autonomia e futuro profissional, e, para o mercado de seguros, a história funciona como um alerta sobre a necessidade de soluções que ofereçam acompanhamento contínuo, assistência e suporte para aqueles que enfrentam riscos no trabalho.
Profissões de risco e a lacuna das coberturas convencionais
Dublês, trabalhadores da construção civil, operadores industriais e colaboradores de parques de diversão são exemplos de profissionais que convivem diariamente com risco de acidentes no âmbito de trabalho. A dimensão desse problema é reconhecida internacionalmente: desde 2003, o dia 28 de abril marca o Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho, criado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) em memória às vítimas de acidentes e doenças ocupacionais, data oficializada no Brasil em 2005 pela Lei nº 11.121/2005. Os números ajudam a dimensionar a gravidade do cenário. Dados do Observatório de Saúde e Segurança do Trabalho indicam que, entre 2012 e 2024, foram registrados cerca de 8,8 milhões de acidentes de trabalho e 32 mil mortes no emprego formal no país. Estimativas do INSS apontam que um óbito relacionado ao trabalho formal ocorre, em média, a cada 3,5 horas. Globalmente, a OIT calcula que milhões de pessoas morrem ou ficam feridas todos os anos em decorrência de acidentes ocupacionais, com impactos que se estendem às famílias e às economias. Apesar do crescimento do seguro de acidentes pessoais e do seguro de acidentes de trabalho no Brasil, impulsionado por maior conscientização, muitas apólices ainda se limitam a indenizações pontuais. Quando o acidente gera sequelas irreparáveis, essas coberturas revelam fragilidades, reforçando a necessidade de modelos de proteção que considerem reabilitação, acompanhamento contínuo e suporte de longo prazo.
Tecnologia assistiva como resposta ao acidente à redução dos riscos
O caso de David Holmes ajuda a entender por que a tecnologia assistiva deixa de ser opcional quando há lesões graves. Recursos como cadeiras de rodas motorizadas, adaptações inteligentes em residências e dispositivos conectados passam a sustentar a autonomia diária, a mobilidade e a dignidade de quem convive com limitações permanentes. Nesse cenário, seguros que viabilizam o acesso a essas soluções exercem papel direto na qualidade de vida do segurado, indo além da lógica puramente indenizatória. Ao mesmo tempo, cresce o reconhecimento do papel das seguradoras na promoção da segurança no trabalho. Embora não atuem como reguladoras, elas complementam o sistema ao incentivar práticas de gestão de risco, orientar empresas e estimular ambientes laborais mais seguros, em linha com diretrizes de órgãos nacionais e internacionais.
Postura preventiva
A tecnologia também se consolida como ferramenta preventiva. Estudos internacionais apontaram que o uso de IA aplicada a vídeos, wearables e sistemas de monitoramento ambiental reduz significativamente as posturas e comportamentos de alto risco. Essas soluções costumam atuar em dois eixos principais: o acompanhamento individual do trabalhador, por meio de sensores e análises ergonômicas, e a leitura do ambiente de trabalho, com identificação de falhas estruturais e situações inseguras. Inserida no conceito de Segurança e Saúde no Trabalho 4.0, essa abordagem aumenta o cuidado com a saúde física e mental dos colaboradores, utilizando recursos como big data, inteligência artificial, realidade virtual e tecnologias preditivas. O resultado é um modelo que combina assistência após o acidente e ações concretas para reduzir a probabilidade de novas ocorrências.
Coberturas que acompanham a reconstrução da vida profissional
Além da adaptação física, acidentes severos impõem desafios emocionais e profissionais. Coberturas que incluem acompanhamento psicológico, apoio à requalificação, orientação para novas atividades e suporte à reinserção no mercado de trabalho ampliam o escopo do seguro e respondem a demandas específicas do pós-acidente. Isso desloca o seguro de uma lógica puramente reparatória para uma atuação contínua, alinhada às transformações na vida do segurado.
Um compromisso que ultrapassa o aspecto financeiro
A experiência de profissionais que tiveram suas carreiras interrompidas por acidentes graves e os altos números dos que sofrem com essa realidade no Brasil e no mundo, indicam a urgência de estratégias de proteção. A trajetória de David Holmes deixa claro que, quando a atividade profissional envolve riscos elevados, proteger não pode significar apenas indenizar. É preciso considerar o que vem depois: a adaptação do corpo, da rotina, da carreira e da própria identidade.Tecnologia assistiva, prevenção baseada em dados e coberturas desenhadas para realidades específicas mostram que é possível construir soluções mais próximas da vida concreta dos segurados.Com uma boa gestão de risco, cuidado contínuo e apoio à reinserção profissional, o seguro deixa de ser um recurso acionado apenas em momentos críticos e integra o processo de reconstrução. Além de responder a sinistros, as seguradoras podem apoiar profissionais expostos a riscos, assumindo o compromisso com o acompanhamento ao longo do tempo e reafirmando o seu valor social se conectando, de fato, com as vulnerabilidades de certos tipos de trabalho.


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