Auto Pop, serviço contínuo e seguro PJ: as apostas apresentadas no INSUMMIT 26
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As cinco maiores companhias do mercado detêm 85% de participação, nas contas de Alex Frederico Dias, CEO da Usebens, e a concentração é um dos argumentos da seguradora para disputar a preferência do corretor com dois produtos de automóvel. A estratégia foi detalhada em entrevista à jornalista Luanna Mikaelle, da Insurtalks, no INSUMMIT 26, evento online promovido pela Segbox com apoio da Insurtalks e do qual a Usebens é uma das patrocinadoras anfitriãs. No mesmo dia de programação, quarta-feira (7), o consultor Samy Hazan defendeu que o seguro passou a funcionar como serviço contínuo, e Renato Almeida, superintendente comercial de Grupos Econômicos e PJ da Tokio Marine, apresentou o seguro para empresas como frente de crescimento das corretoras.
Alex Frederico Dias e a Usebens que o corretor escolhe
Com 28 anos de mercado, Dias assumiu a presidência da Usebens em janeiro de 2026. O diagnóstico que fez ao chegar, contou, foi o de uma companhia com quase três décadas de história, conhecimento técnico, tecnologia, parceiros relevantes e uma base de 11 milhões de clientes, construída em operações com grandes parceiros e canais digitais. O canal corretor, em que a seguradora nunca havia operado, entrou no plano dos próximos cinco anos como via de ampliação da distribuição. "Nós queríamos construir uma Usebens que o corretor quisesse escolher", disse.
O executivo afirmou que os canais anteriores serão mantidos e que a meta no novo é ganhar relevância na carteira do profissional, que empresta a própria credibilidade à seguradora que indica. Para isso, listou as exigências que a companhia se impôs: preço competitivo, rapidez na aceitação, na emissão e no atendimento ao corretor e desempenho no sinistro. "Confiança não se constrói com discurso", afirmou.
A entrada se deu pelo seguro de automóvel, que Dias chamou de "pãozinho quente da padaria" do mercado. O Auto Compreensivo disputa o cliente que já está no mercado tradicional e tem classe de bônus. O Auto Pop foi desenhado para motoristas com veículo segurável que hoje estão fora do mercado oficial, a partir de uma pergunta do acionista controlador, Carlos Zago: como tornar o seguro acessível sem abrir mão da sustentabilidade técnica da operação. Segundo o CEO, o produto não é uma versão barateada do tradicional e exige venda consultiva, com o corretor à frente. A companhia lançou ainda o Usebens Consórcio, administrado pela Rodobens.
Nos bastidores, a preparação incluiu o relançamento da marca e a revisão das regras de subscrição, do motor de cálculo, da emissão, da cobrança e do atendimento, com integração por APIs. Dias sintetizou o objetivo em uma fórmula que disse ter virado mantra interno: complexidade dentro da companhia, simplicidade para o parceiro.
A seguradora tem frota segurada em todos os estados e começou a aproximação com corretores pelo Sul, pelo Nordeste e pelo interior de São Paulo, etapa que trata como laboratório de aprendizado. "Não vamos escalar problemas", disse o executivo, que tem visitas a 20 cidades previstas para os próximos quatro meses. Aos corretores, deixou a mensagem de que a Usebens "não está começando uma nova história" e escreve um novo capítulo de uma trajetória de quase 30 anos.
Samy Hazan e o seguro como serviço contínuo
Samy Hazan, consultor de inovação aberta em seguros e professor da ENS, abriu a palestra "O corretor do futuro não espera o futuro" com duas perguntas à audiência: quem acredita que ainda será corretor em 2035 e quem acredita que a corretora continuará crescendo se fizer exatamente o que faz hoje. O cliente que pede comida, transporte e faz um Pix com um clique, argumentou, ficou mais exigente e leva essa expectativa ao seguro.
A tese central do consultor é que o seguro se tornou um serviço contínuo, apoiado em três elementos: dados, que são tudo o que acontece na vida do cliente; jornada, o conjunto de pontos de contato com a corretora; e decisão, a forma como a operação responde a ambos. O ciclo de cotar, emitir e renovar uma vez por ano, segundo ele, ficou para trás, e o back-office virou diferencial, porque dele dependem o sinistro sem atrito, o endosso rápido e a resposta ao lead no tempo certo.
Hazan foi direto sobre o profissional que apenas recebe dados e os transmite à seguradora, que chamou de corretor despachante: "Esse modelo comercial acabou". Algoritmos cotam, emitem e renovam em frações de segundo, e bancos, fintechs, marketplaces e o seguro embarcado em outras compras já vendem direto ao consumidor. Ao corretor cabem a interpretação e a gestão do risco, a defesa do segurado no sinistro e a decisão tomada junto com famílias e empresas.
O consultor descreveu o Open Insurance, em que o cliente autoriza o compartilhamento de seus dados em troca de ofertas personalizadas, e as carteiras digitais que juntam apólices de diferentes seguradoras, às quais o corretor pode se conectar por meio das SPOCs. Sobre o seguro embarcado, previu que "um dia todo mundo vai vender seguros" e que o corretor precisa participar desse modelo. Nenhuma corretora faz isso sozinha, disse, e o caminho são alianças com empresas de tecnologia.
Para quem vai adotar automação e IA, propôs três verbos (eliminar o que não gera valor, padronizar o que se repete e elevar o que exige julgamento) e uma ordem de trabalho: escolher primeiro o gargalo, depois a ferramenta. "Automatizar um processo ruim apenas vai acelerar a confusão", alertou.
Renato Almeida e o mercado de empresas por desbravar
Renato Almeida levou números para dimensionar o seguro de pessoa jurídica: mais de 25 milhões de empresas ativas no país, 93% delas pequenas e médias, mais de 2 milhões de aberturas por ano e, segundo dados da CNseg citados por ele, apenas 20% com algum tipo de seguro. "O mercado de seguros PJ ainda é um mercado a ser desbravado", disse o superintendente, no setor desde 1999.
Ele relacionou a mudança no perfil das empresas a riscos que entraram na rotina de negócios de qualquer porte, como o uso de inteligência artificial, as obrigações da LGPD, os ataques cibernéticos, a judicialização e os eventos climáticos, e afirmou que o seguro protege hoje a continuidade da operação, além do patrimônio.
Na avaliação de Almeida, o corretor precisa fazer o diagnóstico completo do cliente, mapear riscos que a apólice empresarial não cobre e atuar de forma proativa, com revisões periódicas e oferta de coberturas complementares. Ele contou que uma análise da Tokio Marine encontrou um cliente com vários seguros na companhia, cada um contratado por um corretor diferente, e deixou uma provocação: quantos médicos, engenheiros, advogados e dentistas da carteira de cada profissional têm proteção completa. "O oceano azul está dentro da sua própria carteira de clientes", afirmou.
A companhia tem mais de 50 produtos voltados a empresas, entre os mais de 90 do portfólio, e lançou neste ano ferramentas que usam leitura automática de dados para acelerar cotações de seguro empresarial, garantia e transporte.
O conteúdo integral destes painéis está em https://insummit.online/ , onde também se encontra a programação do segundo dia do evento.




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