Evolução das baterias em carros elétricos: desafios, inovações e impactos para o setor automotivo e de seguros

Evolução dos elétricos amplia desafios técnicos para o seguro auto
A popularização e adesão aos veículos elétricos continua crescendo. Em 2025, as vendas de veículos eletrificados no Brasil cresceram 26% em relação ao ano anterior, ritmo muito superior ao do mercado automotivo tradicional. Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), foram emplacadas 223.192 unidades no período, ante 177.538 em 2024 e 93.927 em 2023, um salto de 138% em apenas dois anos. O desempenho foi impulsionado, sobretudo, pelos modelos híbridos plug-in e pela entrada em operação das fábricas da BYD e da GWM no país, que tendem a reforçar essa trajetória de crescimento.
Com esse crescimento, entender o papel das baterias é necessário para toda a cadeia da mobilidade elétrica. Por isso, é importante mapear os tipos de baterias mais usadas, os desafios que elas apresentam, as novas tecnologias em desenvolvimento e as implicações para consumidores e para as seguradoras de automóveis.
Novos acessórios, novos pontos de atenção no seguro auto
Soluções alternativas de recarga começam a ganhar espaço no universo dos veículos elétricos, especialmente entre modelos com perfil aventureiro. Um exemplo é a capota SOLIS, desenvolvida pela norte-americana Worksport para a picape elétrica Rivian R1T e outros modelos do segmento, que incorpora painéis solares capazes de gerar até 250 watts de energia. A proposta permite abastecer uma bateria auxiliar em cerca de quatro horas, fornecendo eletricidade para equipamentos de camping, ferramentas, iluminação e pequenos eletrônicos em ambientes fora da rede. Apesar do apelo, o sistema ainda não se conecta à bateria principal do veículo, o que limita seu efeito sobre a autonomia da picape. Mesmo com valores elevados, a solução tende a atrair consumidores que buscam independência energética em viagens longas ou regiões remotas. Embora hoje funcione mais como uma estação de energia portátil do que como um sistema de recarga veicular, a iniciativa antecipa um cenário em que veículos elétricos poderão, ainda que de forma gradual, aproveitar o sol como fonte complementar de energia.
Do ponto de vista do seguro auto, a presença de painéis solares e baterias auxiliares adiciona novos componentes ao risco segurado, com impacto potencial no valor do bem e no custo de reparo. Esses sistemas também podem exigir critérios específicos de cobertura para danos elétricos e acessórios não originais. Além disso, o uso mais frequente em áreas remotas tende a influenciar a leitura de risco e as condições de assistência.
Baterias de VE’s:mercado de seguros passa a lidar com um ativo de longa duração
De acordo com o portal InsideVEs, da UOL, estudos baseados em dados de veículos elétricos indicam que as baterias de alta voltagem podem ultrapassar a vida útil média de um carro a gasolina, que nos Estados Unidos costuma girar em torno de 14 anos, com uma taxa de degradação anual baixa, em torno de 1,8%. Mesmo após até 20 anos de uso, muitos elétricos ainda retêm cerca de 60% ou mais da autonomia original, e a necessidade de substituição completa da bateria é estatisticamente rara quando o veículo é bem mantido. Enquanto motores a combustão estão sujeitos ao desgaste contínuo de componentes como câmbio, embreagem, sistema de escapamento e injeção, os sistemas elétricos contam com menos partes móveis, o que reduz falhas estruturais ao longo do tempo. Esse cenário impacta diretamente a percepção de valor de revenda, os custos totais de propriedade e também o mercado de seguros, que passa a lidar com um ativo de longa duração, menos sujeito a substituições frequentes e com riscos mais previsíveis ao longo de sua vida útil.
Segurança térmica e risco de baterias de íons de lítio mudam avaliação de riscos no seguro auto
Apesar dos ganhos claros em eficiência energética, as baterias de íons de lítio introduzem um conjunto específico de riscos que exige atenção técnica e regulatória. Quando submetidas a impactos, falhas de fabricação ou danos estruturais, essas baterias podem entrar em instabilidade térmica, um processo de superaquecimento que, em alguns casos, resulta em incêndios de alta intensidade e difícil controle (inclusive dias ou semanas após o evento inicial). Essa característica altera a avaliação de riscos no seguro auto. Para fabricantes, o desafio está no aprimoramento contínuo de sistemas de gerenciamento térmico, proteção física e monitoramento em tempo real. Já para seguradoras, está na revisão de protocolos de inspeção, transporte, armazenamento e tratamento de sinistros envolvendo veículos elétricos, uma vez que a severidade e a complexidade dos incidentes podem superar aquelas observadas em automóveis a combustão. O próprio manuseio pós-acidente passa a demandar procedimentos específicos para reduzir riscos residuais.
Além da segurança imediata, a degradação gradual da bateria ao longo do tempo também entra no radar. Indicadores como o State of Health (SoH) tornam-se determinantes na precificação do seguro, na definição de coberturas e na valoração de veículos usados, já que a perda progressiva de capacidade energética influencia a autonomia, desempenho e percepção de valor pelo consumidor. Nesse contexto, a gestão do risco passa a incorporar dados, histórico de uso e comportamento de recarga, reforçando a necessidade de modelos mais técnicos e personalizados no mercado segurador.
Baterias de estado sólido: revolução em autonomia e impacto no seguro automotivo
As baterias de estado sólido também funcionam como recurso tecnológico de armazenamento de energia para veículos elétricos, prometendo alterar o desempenho dos carros e o mercado de seguros. Diferentes das baterias convencionais de íons de lítio, elas utilizam um eletrólito sólido em vez de líquido, o que aumenta a densidade energética, melhora a segurança térmica e pode reduzir os riscos de incêndio em acidentes — fatores que tornam os carros elétricos mais confiáveis e menos propensos a falhas graves de bateria. Essa tecnologia tem potencial para aumentar a autonomia dos VEs, com estimativas de até 1.500 quilômetros por carga, e reduzir drasticamente o tempo de recarga, chegando a níveis comparáveis ao reabastecimento de um carro a combustão. Isso pode facilitar a adoção em massa de veículos elétricos ao resolver algumas das principais limitações atuais, como autonomia limitada e longos tempos de parada para recarga.
No mercado de seguros, essas melhorias tecnológicas abrem novas perspectivas.
Veículos com baterias sólidas tendem a ser considerados menos arriscados tanto em termos de segurança quanto de durabilidade, o que pode refletir em modelos de precificação de seguro mais favoráveis, menores custos de sinistros relacionados à bateria e produtos customizados que considerem a performance avançada dessas unidades de energia.
O que as baterias significam para o setor e o consumidor
Enquanto o mercado automotivo elétrico cresce (chegando a superar carros a gasolina em diversos mercados europeus, por exemplo), a sofisticação das baterias cria novas oportunidades para o seguro auto. Isso inclui a cobertura de riscos físicos e também produtos especializados que consideram garantias de baterias, serviços de pós-venda e riscos emergentes. Para o consumidor final, as baterias podem fornecer o equilíbrio entre desempenho, custo de aquisição e manutenção, autonomia e impacto ambiental. A expectativa é que, à medida que tecnologias como baterias de estado sólido amadureçam, a experiência de possuir um veículo elétrico se torne ainda mais atraente, reduzindo tempos de carregamento e aumentando a vida útil total do sistema.
Portanto, à medida que o mercado amadurece e novas soluções ganham escala, a tendência é que as baterias se tornem mais um diferencial estratégico. Se, por um lado, a eficiência energética, autonomia e integração com fontes renováveis ampliam o apelo dos veículos elétricos, por outro, a gestão de riscos e a adaptação do setor de seguros são fundamentais para construir confiança e viabilizar a transição sustentável para milhões de usuários.





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