Com 830 mil roubos por ano, seguro celular vira nova fonte de receita para varejistas e operadoras

A venda de um smartphone costuma terminar quando o consumidor recebe o aparelho. Para varejistas, operadoras e marketplaces, porém, incorporar o seguro celular a essa mesma compra permite estender a relação comercial para além do checkout, com uma oferta que acrescenta receita à transação e mantém novos pontos de contato durante o uso do aparelho.
Essa possibilidade interessa especialmente a empresas que comercializam eletrônicos sob margens pressionadas e buscam serviços capazes de aumentar o valor de cada venda sem exigir a criação de uma estrutura própria de seguros. Integrada ao fluxo já utilizado pelo cliente, a proteção pode ser apresentada na loja física, no e-commerce, no aplicativo, no marketplace ou em canais de televendas.
Risco elevado e baixa adesão abrem espaço para a oferta integrada
O Brasil registrou 830.890 celulares roubados ou furtados em 2025, o equivalente a 95 aparelhos subtraídos por hora, segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Embora o risco seja altíssimo e já esteja presente na rotina dos usuários, somente 11% dos proprietários de smartphones possuem seguro para seus aparelhos, conforme a pesquisa “O Brasileiro e seu Smartphone”, da Opinion Box. Os números indicam um espaço ainda pouco explorado por varejistas, operadoras e marketplaces capazes de incorporar o seguro à jornada de compra. Os dados sugerem uma lacuna clara entre exposição ao risco e proteção contratada.
A baixa contratação não significa necessariamente falta de interesse. Segundo a pesquisa The Embedded Insurance Survey , 72% dos compradores brasileiros contratariam seguros integrados a produtos ou serviços. Ou seja: a forma e o momento da oferta interferem na disposição do consumidor de contratar a proteção. A jornada fluida tem a ver com essa disposição, já que em vez de procurar a proteção após a compra, ele pode avaliá-la quando ainda está decidindo sobre um bem cujo valor conhece e acabou de desembolsar.
“Nossa experiência mostra que o sucesso da oferta de seguro celular está menos relacionado ao produto em si e mais à forma como ele é incorporado à jornada do cliente. Quanto mais integrada, personalizada e contextualizada é essa experiência, maior tende a ser a percepção de valor tanto para o consumidor quanto para o parceiro comercial”, afirma Laura Meroto, analista de Operações e Projetos na Simple2u, insurtech do Grupo MAG.
Com a oferta incorporada ao fluxo de compra, o seguro celular supera a condição de adicional isolado e passa a contribuir diretamente para o ticket médio, a receita após a venda e a continuidade do relacionamento com o cliente. Conhecido como embedded insurance, o modelo inclui a proteção no percurso de compra do produto principal, sem conduzir o consumidor a outro site ou exigir que ele inicie uma contratação paralela. Plataformas white label e integrações por APIs permitem inserir a oferta em sistemas já utilizados pelos parceiros.
Vantagens do seguro celular para as empresas
A venda de eletrônicos nem sempre oferece às empresas margem suficiente para sustentar o crescimento da receita apenas com a comercialização dos aparelhos. Nesse ambiente, o seguro celular acrescenta uma remuneração vinculada a um serviço relacionado diretamente ao produto adquirido, sem que varejistas, operadoras ou marketplaces precisem montar uma operação securitária própria. A proteção entra no mesmo fluxo da compra e aumenta o resultado financeiro obtido com cada transação.
Entre os efeitos comerciais dessa oferta estão:
- Aumento do Ticket médio e LTV: ao contratar a proteção junto com o smartphone, o consumidor consegue dimensionar o prejuízo provocado por um roubo, uma queda ou um dano por líquido e acrescenta um serviço à compra original, ampliando o valor da transação. A relação comercial também pode continuar durante a vigência do seguro por meio de atendimento, assistência e renovação, com possível reflexo no Lifetime Value (LTV), indicador utilizado para estimar a receita gerada por um cliente ao longo de sua relação com a empresa.
- Conveniências na contratação: comprar o smartphone e contratar sua proteção no mesmo ambiente reúne duas decisões do consumidor em uma única jornada; para a empresa, acrescenta uma camada de serviço à experiência já oferecida em seus canais. Essa conveniência reduz a necessidade de novos cadastros, acessos ou redirecionamentos e, consequentemente, o risco de abandono pelo cliente. No comércio digital, e-commerces, aplicativos e marketplaces podem inserir o seguro na página do produto, no carrinho ou no checkout, o que gera uma nova possibilidade de monetização no canal já existente.
- Relacionamento após a venda: programas de fidelização encontram no seguro um serviço capaz de manter novos pontos de contato depois do pagamento. Em vez de procurar a marca novamente apenas na troca do aparelho, o consumidor pode recorrer a ela diante de uma ocorrência coberta ou de uma necessidade de assistência. A experiência recebida nesses momentos pode influenciar decisões futuras de compra ou renovação.
Por trás dessa experiência, as integrações via APIs conectam os sistemas do parceiro à estrutura da empresa responsável pelo seguro. Cotação, contratação, emissão e gestão podem ser automatizadas, enquanto os aspectos regulatórios e operacionais permanecem sob responsabilidade de uma insurtech ou seguradora especializada. Com essa divisão, empresas de portes e modelos distintos conseguem incorporar o serviço sem desenvolver internamente todos os recursos necessários.
Os resultados da oferta podem ser acompanhados por indicadores como adesão, conversão, ticket médio, receita incremental, renovação e retenção. A leitura desses dados ajuda a empresa a identificar quais canais, aparelhos e momentos da compra despertam maior interesse pela proteção. Também permite ajustar a posição da oferta, as coberturas apresentadas e a abordagem utilizada com cada público.
Cobertura do seguro celular
Do ponto de vista do usuário, o valor da oferta depende da correspondência entre as coberturas e os riscos enfrentados no uso cotidiano. O seguro celular da Simple2u contempla roubo e furto qualificado, quebra acidental e danos provocados por líquidos. A proteção possui abrangência nacional e internacional, sem necessidade de contratar separadamente uma cobertura para viagens ao exterior.
Roubo e furto qualificado tratam da perda do aparelho em situações previstas nas condições do seguro. Já as coberturas para quebra e contato com líquidos alcançam acidentes que podem ocorrer mesmo quando o telefone permanece com o proprietário, como quedas, danos à tela ou derramamento de bebidas.
Na hora da venda, essas coberturas permitem relacionar a proteção a riscos que vão além do roubo e do furto, incluindo também o impacto financeiro de consertar ou substituir aparelhos com valores elevados. A personalização das coberturas também permite relacionar a proteção ao perfil de uso do consumidor, em vez de apresentar o mesmo pacote de forma indistinta.
Como empresas podem incorporar o seguro celular à jornada de compra
Oferecer seguro celular não exige que a varejista, a operadora ou o marketplace se transforme em seguradora nem que desenvolva internamente toda a operação. A implementação reúne decisões comerciais, integração tecnológica e divisão de responsabilidades com uma empresa especializada.
1. Definir onde a oferta fará parte da compra
O primeiro passo é identificar os canais e os momentos em que o seguro será apresentado. A empresa pode incluí-lo na abordagem em loja física, na página do smartphone, no carrinho, no checkout, no aplicativo ou durante uma venda por telefone. Essa escolha deve considerar o comportamento do público e o funcionamento de cada canal. Uma oferta inserida cedo demais pode aparecer antes que o cliente compreenda o valor do aparelho; apresentada tarde demais, pode perder a ligação com a decisão de compra. A proposta precisa entrar quando o consumidor já reconhece o risco financeiro relacionado ao produto, mas ainda consegue incluir a proteção na mesma transação.
2. Personalizar coberturas e jornada
Ainda sobre os critérios de oferta, as coberturas, etapas de contratação, regras comerciais e pontos de entrada podem ser ajustados ao perfil dos clientes e aos canais utilizados pela empresa. Essa adaptação ajuda a evitar uma oferta genérica e desconectada da compra. O seguro de um aparelho vendido em um marketplace, por exemplo, pode seguir uma apresentação diferente daquela utilizada por uma operadora que mantém relacionamento mensal com o cliente.
3. Escolher um parceiro especializado
A operação é estruturada com uma insurtech ou seguradora responsável por aspectos como a emissão e gestão das apólices.
Com essa divisão, a empresa que vende o smartphone não precisa estruturar uma área de seguros própria: o parceiro comercial se concentra na distribuição e na experiência de compra, enquanto a operação securitária fica com quem tem autorização e conhecimento técnico para executá-la.
4. Integrar o seguro aos sistemas existentes
As APIs conectam a solução de seguros aos canais de venda do parceiro. A partir dessa integração, a oferta pode aparecer dentro do fluxo já utilizado pelo consumidor, aproveitando informações da transação e evitando processos paralelos.
A tecnologia também permite automatizar etapas como cotação, contratação, emissão e acompanhamento. Plataformas prontas para integração reduzem o volume de desenvolvimento interno e tornam o modelo aplicável a empresas de diferentes portes. Segundo a Simple2u, a combinação entre APIs e estruturas white label permite que o seguro seja incluído no fluxo de compra sem a montagem de uma operação independente.
Laura Meroto explica que a tecnologia sustenta a adaptação do modelo às necessidades de cada negócio. "A tecnologia é o principal habilitador desse modelo. Com integrações via APIs, é possível disponibilizar ofertas personalizadas de forma rápida e escalável, adaptando a jornada às características de cada parceiro e reduzindo significativamente a complexidade operacional da distribuição de seguros".
5. Acompanhar adesão, receita e retenção
Depois da implementação, a empresa pode acompanhar indicadores como adesão ao seguro, conversão, ticket médio, receita incremental e retenção. Esses dados ajudam a identificar em quais canais, produtos e momentos da compra a proteção encontra maior receptividade. Além disso, também permitem revisar a linguagem da oferta, sua posição no fluxo e as coberturas apresentadas.
A oferta funciona quando responde à necessidade do cliente no momento certo
O seguro celular amplia as possibilidades comerciais associadas a uma venda que, isoladamente, terminaria na entrega do aparelho. Entretanto, a presença da proteção no portfólio não garante, por si só, adesão ou continuidade do relacionamento. O resultado depende de como a oferta se conecta ao produto, ao canal, à necessidade percebida pelo cliente e ao momento em que a proteção é apresentada. No caso do smartphone, essa necessidade está mais presente enquanto o consumidor avalia o valor do aparelho, o desembolso realizado e os riscos aos quais aquele bem estará exposto. É nesse ponto que a oferta pode encontrar maior correspondência com uma preocupação já reconhecida pelo próprio cliente. Assim, quando a contratação ocorre no mesmo percurso da compra e sem etapas desnecessárias, o seguro encontra condições mais favoráveis para gerar receita ao parceiro e oferecer uma resposta concreta aos riscos assumidos pelo consumidor.


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