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Inadimplência recorde: riscos e oportunidades para o mercado de seguros

Inadimplência da carteira de crédito chega a 5,04% em agosto e atinge maior nível da série histórica. Cenário aumenta a pressão sobre famílias e coloca proteção financeira no radar do setor.
Inadimplência recorde: riscos e oportunidades para o mercado de seguros

Inadimplência chega ao maior nível da série histórica

A inadimplência da carteira de crédito do Sistema Financeiro Nacional atingiu 5,04% em agosto de 2026, segundo dados divulgados pelo Banco Central. O índice avançou 0,1 ponto percentual em relação a julho e 0,9 ponto em 12 meses, alcançando o maior patamar da série histórica. Entre as pessoas físicas, o cenário é ainda mais pressionado: a inadimplência chegou a 6%, também recorde. Nas empresas, o indicador permaneceu estável em 3,3%. Ao mesmo tempo, o saldo das operações de crédito chegou a R$ 7,4 trilhões, com crescimento de 0,5% no mês. Os números mostram que o problema não está apenas na quantidade de dívidas em atraso. O ambiente de crédito mais caro aumenta a pressão sobre o orçamento de famílias e empresas e coloca a capacidade de pagamento no centro das decisões financeiras. Esse cenário também repercute no mercado segurador. À medida que a renda fica mais pressionada, produtos voltados à proteção de compromissos financeiros ganham relevância, sobretudo aqueles que oferecem suporte diante de situações capazes de reduzir ou interromper a capacidade de pagamento.

‍Seguro prestamista ganha relevância em um cenário de crédito pressionado

Entre os produtos que entram nesse debate está o seguro prestamista, associado a empréstimos, financiamentos e outras operações de crédito. Dependendo das condições contratadas, a cobertura pode quitar ou amortizar uma dívida em situações como morte, invalidez e, em determinadas modalidades, desemprego involuntário. Na prática, o produto cria uma proteção entre o contratante e a obrigação financeira. Se um evento coberto comprometer a capacidade de pagamento, a indenização pode ser destinada ao credor, reduzindo ou quitando a dívida prevista em contrato. O segmento já ocupa espaço relevante dentro dos seguros de pessoas. Em 2025, o prestamista respondeu por 27% dos prêmios de seguros de pessoas, segundo dados da CNseg baseados em informações da Susep. O desafio, diante do atual cenário, está em equilibrar proteção e capacidade financeira. Com famílias sob maior pressão, o custo do seguro, as condições das coberturas e a clareza na contratação ganham peso na decisão do consumidor.

‍O risco não termina na contratação do seguro

A alta da inadimplência também exige atenção das próprias seguradoras. Quando o orçamento das famílias fica mais apertado, o seguro também pode entrar na lista de despesas que o consumidor precisa reavaliar. Cancelamentos, redução de coberturas ou migração para produtos mais baratos podem se tornar mais frequentes, especialmente quando a renda já está comprometida com outras obrigações. Esse movimento exige atenção das seguradoras, que precisam acompanhar de perto as mudanças no comportamento dos clientes. O cenário econômico pode influenciar desde a procura por determinados produtos até a permanência dos segurados nas carteiras. Acompanhar indicadores como renda, endividamento, juros e inadimplência ajuda a identificar essas mudanças com antecedência e a ajustar produtos, preços e estratégias de distribuição. 

‍Proteção de renda entra no radar

A inadimplência recorde também reforça a discussão sobre produtos que protegem a renda diante de imprevistos. Seguro de vida, coberturas por incapacidade e modalidades que contemplam perda involuntária de renda podem ganhar espaço quando consumidores percebem que uma interrupção financeira pode comprometer prestações e despesas recorrentes. O aperto no orçamento pode fazer com que o consumidor corte produtos considerados secundários ou procure alternativas de menor custo. É justamente nesse ponto que a atuação de corretores e canais de distribuição ganha importância. Em um ambiente de maior pressão financeira, entender a capacidade de pagamento do consumidor é tão importante quanto compreender os riscos que o seguro pretende proteger.

‍Dados podem ajudar a antecipar mudanças no risco

O cenário também reforça o papel dos dados na avaliação das carteiras. Indicadores de renda, crédito, comportamento de pagamento e características das operações podem ajudar seguradoras e distribuidores a compreender mudanças no perfil de risco. Esse acompanhamento ganha ainda mais importância em um mercado no qual crédito e seguros estão cada vez mais conectados. Em 2026, a própria CNseg destacou o desempenho dos seguros de crédito, cujos pagamentos cresceram 24,9% entre janeiro e abril, em um período marcado por juros elevados e desaceleração econômica. A tecnologia, nesse contexto, pode contribuir para análises mais dinâmicas e para produtos mais adequados aos diferentes perfis de clientes. Ao mesmo tempo, o uso de dados financeiros exige atenção às regras de privacidade, transparência e finalidade da informação utilizada.

‍Proteção ganha espaço em meio ao aperto financeiro 

O mercado de seguros está diante de um consumidor mais pressionado e, ao mesmo tempo, mais exposto às consequências de um imprevisto financeiro. Nesse cenário, a discussão sobre proteção ganha espaço e traz a necessidade de oferecer soluções que façam sentido para quem precisa controlar mais o orçamento. Para seguradoras e corretores, o momento exige atenção ao comportamento das carteiras, aos sinais da economia e às mudanças na capacidade de pagamento dos clientes. Produtos mais adequados ao perfil do segurado, comunicação clara e uso responsável de dados podem ajudar a aproximar a proteção da realidade financeira de cada consumidor. Para o consumidor, o momento evidencia uma questão prática: uma dívida não representa o único risco financeiro. A perda de renda, uma incapacidade temporária ou um imprevisto familiar podem transformar uma dificuldade administrável em um problema maior. É nesse espaço que o seguro encontra uma de suas funções mais concretas, reduzindo o impacto financeiro de acontecimentos que fogem do planejamento. Em um contexto de inadimplência recorde, a proteção não precisa ser uma discussão distante, mas pode fazer parte da própria gestão das contas do dia a dia.

Postado em
5/10/2026
 na categoria
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