Inovação

Gênero, idade e CEP na precificação do seguro auto: onde está o limite entre dado justo e discriminação?

A Justos abre o debate sobre o uso ético de dados comportamentais na precificação de seguros e explica por que comportamento ao volante, não perfil demográfico, deve ser o critério central de equidade.
Gênero, idade e CEP na precificação do seguro auto: onde está o limite entre dado justo e discriminação?

No dia a dia do mercado de seguros, um dos maiores desafios do Corretor é explicar ao cliente por que o valor da sua apólice subiu ou se mantém elevado, mesmo sendo ele um condutor exemplar. Frequentemente, a resposta reside em variáveis demográficas — como gênero, idade ou o CEP de residência — critérios que, embora tenham embasamento estatístico, fogem totalmente ao controle do segurado e criam atritos no momento do fechamento ou da renovação. 

O debate regulatório que o setor não pode ignorar 

Historicamente, o setor utiliza grandes grupos demográficos para diluir riscos. Dados da SUSEP e tendências de mercado indicam que motoristas em determinadas regiões podem pagar até 40% a mais pelo seguro apenas por sua localização geográfica, independentemente de serem condutores exemplares. A Justos questiona essa "punição por perfil" e utiliza inteligência de dados para individualizar a experiência. 

Na prática, a consequência para o Corretor de Seguros é direta: clientes que dirigem com cautela pagam o mesmo que motoristas imprudentes quando agrupados apenas por idade ou CEP. Isso cria fricção na venda, dificulta a fidelização e fragiliza o argumento do corretor perante um segurado que percebe a injustiça no próprio bolso. 

A posição da Justos: comportamento como critério soberano 

Desde sua fundação, a Justos adota a telemática comportamental como eixo central de precificação: analisando como cada motorista de fato dirige, e não quem ele é demograficamente. O algoritmo da companhia avalia variáveis como velocidade, frenagem, aceleração e uso do celular ao volante. O resultado é uma apólice que reflete o risco individual, não o risco do grupo ao qual o segurado pertence. 

O modelo não ignora dados contextuais mas os subordina ao comportamento observado. CEP pode indicar exposição a riscos específicos de infraestrutura viária; idade pode ser correlata de experiência ao volante. A diferença está em como esses dados são usados: como contexto informativo dentro de um modelo amplo, nunca como critério determinante isolado. 

"Quando variáveis como gênero e idade têm peso elevado em um modelo de precificação, há um risco de simplificar demais a análise ao nível de grupos. Elas continuam sendo relevantes, mas, isoladamente, não capturam toda a complexidade do risco individual. Por isso, nossa abordagem combina dezenas de outras variáveis, que, em conjunto, permitem uma leitura mais precisa do perfil de cada motorista.” — Leonardo Almeida, Analista de Dados da Justos

A abordagem inovadora da insurtech não apenas refina o preço, mas atua como uma ferramenta de educação e segurança no trânsito. Ao substituir o modelo de tabelas frias por uma jornada de reconhecimento, a Justos transforma o produto em uma plataforma de engajamento para o corretor. 

"O papel da seguradora moderna evoluiu de pagadora de sinistros para uma gestora ativa de riscos que valoriza o indivíduo. Não queremos que o Corretor de Seguros tenha que justificar preços altos baseados em critérios que o cliente não controla. Queremos que ele celebre, junto com o segurado, a economia gerada e recompensas por uma direção consciente. A precificação por comportamento é o caminho mais sólido para uma relação de confiança e transparência na linha de frente do nosso negócio", afirma Dhaval. 

A Ciência da Recompensa no Trânsito 

A estratégia da Justos não se limita a coletar dados, mas a utilizá-los como motor de mudança social. Os resultados mostram que o incentivo positivo gera uma transformação real e progressiva. Em média, motoristas que utilizam a plataforma apresentam uma evolução de 2,5% em sua nota de direção nos primeiros seis meses. Com a continuidade do uso, esse aprendizado se consolida: a melhoria atinge 5% após dois anos e ultrapassa a marca de 10% de evolução após três anos de uso contínuo da tecnologia Justos. 

Essa melhora gradual reduz drasticamente a probabilidade de sinistros graves na carteira, provando que o motorista responde melhor ao reconhecimento do que ao custo punitivo. Além disso, a direção segura deixa de ser apenas uma obrigação moral e se torna uma vantagem clara: além de evitar dores de cabeça, o segurado ganha recompensas reais pelo bom desempenho ao volante e garante um preço muito mais competitivo na hora da renovação. 

Ao equilibrar rigor técnico e um modelo focado no reconhecimento, a Justos reafirma seu compromisso em transformar o seguro auto em uma ferramenta de equidade, colocando o Corretor e o motorista consciente no centro da estratégia de mobilidade.

Postado em
27/4/2026
 na categoria
Inovação
Deixe sua opinião

Mais sobre a categoria

Inovação

VER TUDO