Tecnologia

Telemetria e IA: como o seguro frota parou de indenizar e começou a previnir

Livia Prata, diretora de frota da Allianz apresenta no TRENDS 26 a virada de chave que está transformando o seguro de frota — de produto de indenização para ferramenta de prevenção — e mostra por que a informação que o corretor traz sobre o cliente é o que torna o preço competitivo e o seguro mais eficiente.
 Telemetria e IA: como o seguro frota parou de indenizar e começou a previnir

Em um dos momentos mais marcantes do TRENDS 26, Lívia Prata, Diretora de Frota da Allianz — com mais de duas décadas de experiência no mercado, representando uma das marcas mais valiosa do setor de seguros no mundo e a maior gestora de ativos do planeta — trouxe um caso concreto que resumiu melhor do que qualquer dado o novo papel do seguro de frota: um motorista adormeceu numa rodovia do Sul do Brasil, a câmera instalada no caminhão detectou o evento, acendeu a sirene dentro da cabine, o motorista despertou, cortou a pista, teve um dano leve — mas evitou uma colisão que poderia ter sido fatal.

Esse episódio não é ficção científica. Aconteceu na semana anterior ao TRENDS 26, com uma frota segurada pela Allianz. E é a ilustração mais direta do que Lívia chama de a grande virada de chave do mercado: sair do modelo em que o seguro só entra depois da perda para um modelo em que o seguro atua antes que a perda aconteça.

“O nosso grande desafio é transformar o que o mercado sempre fez: preciso fazer um seguro para indenizar. Não. Agora a gente tem que fazer um seguro e ajudar a prevenir. Essa é a virada de chave.”

Da telemetria à IA: uma década de evolução que chegou ao ponto de inflexão

A telemetria no seguro de frota não é nova. Há mais de uma década o mercado já usava rastreadores OBD e dispositivos instalados nos veículos para monitorar localização e comportamento de condução. O que muda agora — e é precisamente aqui que Lívia posiciona a inovação da Allianz — é a camada de inteligência artificial acoplada sobre esses dados.

Antes, o rastreador registrava. Agora, a IA interpreta. A diferença é substancial: não se trata apenas de saber onde o veículo está ou quantos quilômetros rodou. Trata-se de identificar padrões de risco — um motorista que freou bruscamente três vezes na última semana, um veículo que circula sistematicamente em horários de alta sinistralidade, uma rota que apresenta concentração de ocorrências — e agir preventivamente antes que o sinistro ocorra.

“A telemetria a gente já fala há mais de uma década. O que muda agora é a inteligência artificial acoplada a ela. Os dados sempre existiram. A capacidade de transformá-los em decisão inteligente é o que é novo.”

A Allianz, por fazer parte de um grupo global, tem acesso a experiências e tendências mundiais que aceleram esse processo no Brasil. O que está sendo testado em frotas europeias hoje chega ao mercado brasileiro com uma vantagem de aprendizado que poucos players locais conseguem replicar.

A prede informação: o subscritor que taca cimento

Um dos momentos mais didáticos da apresentação de Lívia foi quando ela explicou, com uma analogia simples, o que acontece quando o corretor envia uma proposta de frota sem as informações completas do cliente. O subscritor, disse ela, olha o risco como se olhasse uma parede. Se o tijolo estiver vazio — sem informação — ele taca cimento. Ou seja: sem dados, o subscritor não assume risco. Ele cobra mais para compensar a incerteza.

A lógica inversa é igualmente direta: quanto mais informação o corretor traz sobre o cliente — perfil de carga, rotas habituais, gerenciadora de risco utilizada, cameras instaladas, histórico de sinistros, programa de bonificação de motoristas — mais precisa fica a precificação. E uma precificação mais precisa é, quase sempre, uma precificação mais competitiva para o cliente.

“O subscritor olha o risco como uma parede. Se o tijolo estiver vazio, ele taca cimento. Não tem informação, ele taca preço. Quanto melhor a informação que o corretor traz, melhor o preço que a gente consegue oferecer.”

Foi exatamente esse raciocínio que transformou a frota com resultado ruim que Lívia mencionou durante o painel. A empresa tinha sinistralidade elevada, brigava por desconto e não conseguia justificar o investimento em tecnologia. Depois de instalar as câmeras — e de compartilhar esse dado com a Allianz — o perfil de risco mudou, o preço mudou e a relação com a seguradora mudou. A prevenção retroalimentou a competitividade do produto.

Não é qualquer frota que precisa de câmera

Lívia foi precisa em evitar uma armadilha comum nas discussões sobre tecnologia em frota: a generalização. Não existe uma solução única que serve para todas as frotas. O que serve para um caminhão rodando à madrugada numa rodovia federal é completamente diferente do que serve para uma frota urbana de entrega ou para uma empresa com três veículos leves.

Uma frota com motoristas experientes e histórico limpo pode se beneficiar mais de um programa de bonificação do que de câmeras. Uma operação noturna de longa distância, onde o motorista para em postos e enfrenta fadiga, demanda vigilancia ativa e tecnologia embarcada mais sofisticada. O papel do corretor é entender qual é o perfil de cada cliente e traduzir isso para a seguradora — porque essa tradução é o que permite um produto verdadeiramente adequado e um preço verdadeiramente justo.

“Não é qualquer frota que precisa de câmera. Às vezes é só um sistema de bonificação porque o motorista já dirige bem. A informação certa, no cliente certo, é o que faz toda a diferença.”

O corretor como consultor: insubstituível na era dos dados

Lívia encerrou sua participação reforçando um ponto que percorreu todo o painel de Seguros Corporativos: nenhum algoritmo, nenhuma ferramenta digital e nenhum questionário substitui a visita ao cliente. A qualidade da informação que alimenta os modelos de IA da Allianz depende diretamente do corretor que conhece o cliente, entende a operação e sabe quais dados fazem diferença na precificação.

Numa frota de três itens ou de 500 itens, o processo é essencialmente o mesmo: o corretor leva a informação certa, a seguradora minera esses dados com IA e devolve um preço que reflete a realidade daquele cliente. O loop se fecha com a prevenção: menos sinistro, melhor resultado, produto mais competitivo, relação mais duradoura.

“Os dados vão nos dar um diferencial competitivo. Mas a qualidade dessa informação só o corretor tem. Conhecendo o cliente, entendendo o que faz diferença naquela frota — isso não tem substituto.”

Para os corretores que ainda não trabalham ativamente com frota, Lívia deixou um convite prático: cotar na Allianz em até cinco minutos e, a cada informação adicional que precisar ser acrescentada, enviar — porque cada dado que chega aprimora a proposta e pode mudar o preço para melhor. O programa Allianz Mais Perto, de capacitação com consultor dedicado, também está disponível na plataforma online para quem quiser aprofundar o conhecimento no produto.

Assista:

Postado em
10/6/2026
 na categoria
Tecnologia
Deixe sua opinião

Mais sobre a categoria

Tecnologia

VER TUDO