Longevidade, alto custo e tecnologia: os desafios do mercado de planos de saúde
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O painel “Tendências em Planos de Saúde”, realizado no TRENDS 26, reuniu cinco executivos de operadoras líderes do mercado para debater um segmento que cresce em complexidade na mesma proporção em que cresce em oportunidades. De um lado, o aumento da demanda gerada pelo envelhecimento da população e pelo avanço de tratamentos que podem custar até R$8 milhões por paciente. De outro, a necessidade urgente de sustentabilidade financeira, inovação tecnológica e um corretor cada vez mais consultivo. Denise Carvalho, da SulAmérica, Cadu Martins, da Amil, Fábio Luiz Maia, da Assim, Maurício Rocha, da Bradesco Saúde, e Sandro Reis, da Porto, foram os responsáveis por colocar esses desafios à mesa e por mostrar que, para cada dilema do setor, há um caminho sendo construído.
130 anos de história e os desafios do presente
Denise Carvalho, Diretora Comercial da SulAmérica, abriu sua fala celebrando os 130 anos da companhia e seus próprios 30 anos de mercado para, em seguida, situar o debate no presente afirmando que unir a solidez de uma marca centenária à agilidade exigida pelo consumidor moderno é um desafio real. A modernização do aplicativo — com identificação facial e tokens para facilitar o acesso e prevenir fraudes — é uma das respostas da empresa a essa demanda.

Denise apresentou o que a SulAmérica chama de "Cuidado 360", que é a integração de Saúde, Odonto e Vida em uma oferta conjunta que permite ao corretor "blindar" o cliente, cobrindo todas as suas necessidades de proteção em uma única oferta.
Um dos momentos mais impactantes de sua fala foi quando abordou o desafio dos medicamentos de alto custo, como terapias para câncer e doenças como ELA que podem custar de R$3 milhões a R$8 milhões. Para ela, o mercado precisa evoluir para modelos de compartilhamento de risco entre operadoras e fabricantes, tornando esses tratamentos viáveis dentro do conceito de mutualismo. Denise também destacou o Labin, sistema de coleta domiciliar de exames com resultados compartilhados, que evita a repetição desnecessária de exames e agiliza o diagnóstico médico.
A executiva também ressaltou a ferramenta "Gestão Conectada", que permite ao médico da empresa ou ao corretor acompanhar a utilização da carteira — com ênfase especial na segunda opinião médica antes de cirurgias complexas. Para a executiva, garantir ao beneficiário o tratamento mais adequado, além de ser uma questão de ética, é mais sustentável para o sistema a longo prazo. Comemorou ainda a marca de 1 milhão de clientes no Rio de Janeiro, reforçando a origem carioca da companhia e seu compromisso com o canal corretor.
A IA como GPS da saúde
Cadu Martins, Diretor Nacional de Massificados da Amil, construiu sua participação em torno de uma metáfora que atravessou todo o painel: a Inteligência Artificial como um GPS. Para ele, assim como o GPS ajuda motoristas a tomar decisões inteligentes sem substituir o condutor, a IA deve ser um complemento às decisões humanas, não um substituto.

Ele detalhou como a Amil está investindo no setor: um time de 20 colaboradores focados exclusivamente em IA, trabalhando em aplicações que vão desde a antecipação de riscos e o encaminhamento de beneficiários para cuidados preventivos até o preparo de médicos para teleconsultas (a ferramenta resume os sintomas do paciente antes mesmo do início da chamada).
Cadu também destacou o uso de QR Codes e geolocalização para confirmar que o paciente está realmente na clínica no momento da autorização, contribuindo para a gestão eficiente e a redução de custos e foi transparente sobre a governança de dados: as informações de saúde são as mais visadas por hackers, por isso o uso responsável e ético dessas informações é a base para o desenvolvimento sustentável de novos produtos.
O executivo também celebrou os resultados recentes afirmando que a Amil registrou o maior crescimento de vendas e adição de novos beneficiários em 2025, consolidando sua liderança no mercado do Rio de Janeiro. Ele encerrou defendendo o que chamou de "tripé" do negócio — a ideia de que, para o sistema de saúde prosperar, a operação precisa ser boa para três partes simultaneamente: a operadora, o beneficiário e o corretor.
Peopleware: o fator humano na era da IA
Fábio Luiz Maia, Diretor Comercial da Assim Saúde, trouxe uma perspectiva histórica para contextualizar a discussão sobre tecnologia. Ele relembrou, com bom humor, as fases da prospecção ao longo das últimas décadas: nos anos 60 e 70, era o trabalho porta a porta, onde o "lead" era quem estava atrás da porta e a tecnologia mais avançada era a campainha. Depois vieram os catálogos telefônicos e os telefones de sete dígitos. Hoje, a Inteligência Artificial faz o "trabalho pesado" do filtro que antes era manual, entregando ao corretor dados já processados para que ele chegue ao cliente com a melhor solução.

Fábio fez questão de ancorar a conversa tecnológica em um conceito que considera primordial: além do hardware e do software, existe o "peopleware", que é a relação interpessoal, insubstituível no mercado de seguros. Citando o valor de mercado de gigantes como Apple, Microsoft e NVIDIA, ele reconheceu que a IA é um caminho sem volta, mas deixou um alerta no encerramento: "Quem não se ligar, não for inteligente, vai ser só artificial". A Assim Saúde, empresa que se define como genuína e exclusivamente carioca, atua há 38 anos com uma rede própria de 6 hospitais e 30 centros médicos no Rio e Grande Rio, atendendo cerca de 700 mil vidas.
Prevenção como investimento e longevidade como estratégia
Maurício Rocha, Superintendente Sênior da Bradesco Saúde, trouxe ao painel uma visão sustentada em dados e em uma experiência de 24 anos dentro da companhia. Ele situou o momento econômico favorável do Rio de Janeiro, com crescimento do PIB, baixa taxa de desemprego e expansão de 9% do setor de Óleo e Gás em 2025, como um catalisador para a venda de planos de saúde, já que o crescimento econômico se dissemina por toda a cadeia produtiva.

Em termos de produto, Maurício trouxe um dado de consultoria que deveria impactar qualquer gestor de RH: para cada R$1,00 investido em prevenção, as empresas têm um retorno de R$7,00. Com esse argumento, ele reforçou que o plano de saúde precisa ser vendido como um investimento estratégico, não como um custo.
Uma das reflexões mais marcantes de sua fala foi uma analogia sobre as fases da vida: quando jovem, tem-se saúde e tempo, mas falta dinheiro; na fase adulta, tem-se dinheiro e saúde, mas falta tempo; na velhice, tem-se dinheiro e tempo, mas a saúde começa a falhar. Com essa sequência, ele mostrou que o brasileiro ainda carece de planejamento para a longevidade e que o plano de saúde é uma ferramenta indispensável para garantir dignidade nessa última fase.
Ele destacou ainda dois temas que considera prioritários. Primeiro: o crescimento de 67% nos afastamentos por transtornos mentais, com a Bradesco respondendo com seguro de psicologia online integrado a todos os produtos e o Programa TEA (Transtorno do Espectro Autista), que guia famílias dentro da rede credenciada. Segundo: a retenção de talentos 50+. Com o envelhecimento da população e a redução de jovens entrando no mercado de trabalho, o plano de saúde tornou-se o principal benefício estratégico para as empresas que precisam reter profissionais experientes.
Estética, bem-estar e o mercado odontológico do futuro
Sandro Reis, Gerente de Produto da Porto Saúde, fechou o painel com um olhar para a transformação do segmento odontológico. Para ele, o mercado dental está deixando de ser focado exclusivamente em tratamento para se tornar um ecossistema de prevenção, autoestima e qualidade de vida. Para ele, o consumidor atual busca melhorar sua capacidade de se apresentar e cuidar da saúde de forma integrada e o setor precisa acompanhar essa evolução.

O lançamento do Odontox foi o ponto central de sua fala: um produto que reflete o olhar da companhia para o crescente mercado estético no Brasil, que já movimenta bilhões de reais. Sandro projetou que o segmento premium deverá incluir soluções que abordem tratamentos estéticos, aproveitando o destaque mundial do Brasil nessa área.
Ele também apontou uma necessidade estrutural do setor: legislação mais moderna, que acompanhe as evoluções tecnológicas e as novas formas de prospecção e atendimento surgidas nas últimas décadas.
Quer assistir ao painel completo? Confira esse e outros conteúdos no site do TRENDS.




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