Odonto, o mercado de bilhões que o seguro está aprendendo a atender

Em um dos painéis mais voltados para o futuro do TRENDS 26, o maior evento de inovação do mercado segurador brasileiro, Sandro Reis, Gerente de Produto da Porto responsável pelas sucursais do Rio de Janeiro, Distrito Federal, Espírito Santo e Goiás, trouxe uma discussão que poucos no setor ainda ousam ter abertamente: o mercado odontológico está muito maior do que o seguro enxerga.
O argumento de Sandro não é teórico. É ancorado num dado concreto: o Brasil é um dos maiores mercados estéticos do mundo. Os procedimentos não invasivos já representam 70% de tudo que é movimentado nesse setor. E o plano odontológico — produto que o corretor já vende, já conhece e já tem na carteira — ainda opera num modelo focado quase exclusivamente em tratamento, ignorando uma demanda crescente por bem-estar, autoestima e qualidade de experiência que o consumidor já está disposto a pagar.
“A gente vê bastante oportunidade no segmento odontológico para evoluir saindo de um modelo focado em tratamento para um ecossistema de prevenção, bem-estar, autoestima e melhora na qualidade da experiência do cliente.”
O Odontox: quando o odonto encontra a estética
O lançamento mais recente da Porto no segmento — e o mais aguardado do painel — é o Odontox. Apresentado ao mercado no mês anterior ao TRENDS 26, o produto nasce diretamente da leitura desse novo perfil de consumidor: alguém que não quer apenas tratar problemas bucais, mas que busca melhoria estética, autoestima e uma experiência de cuidado mais ampla do que a tradicional cadeira de dentista.
Sandro foi cuidadoso ao posicionar o produto. O Odontox ainda é um protótipo em fase de experimentação de mercado — a Porto está testando a aceitação, medindo a resposta do canal corretor e ajustando o modelo antes de escalar. Mas a direção está clara: produtos odontológicos que incluam tratamentos estéticos minimamente invasivos, possivelmente em um segmento premium, são uma fronteira que o mercado vai cruzar.
“Por que não ter a qualidade de um serviço prestado dentro de um consultório odontológico por um profissional altamente competente e viabilizar isso num segmento premium que possa abordar tratamentos estéticos? Essa pergunta a gente está começando a responder.”
Para o corretor, o Odontox abre uma conversa nova com um perfil de cliente que já existe na carteira — o consumidor que se preocupa com a aparência, que investe em bem-estar e que está disposto a pagar por isso — mas que ainda não encontrou dentro do mercado segurador um produto que fale com essa necessidade. O produto existe. O cliente existe. O que faltava era a ponte.
A legislação que não acompanhou o mercado
Um dos pontos mais críticos levantados por Sandro foi a defasagem regulatória. O mercado de planos odontológicos no Brasil ainda opera sob uma legislação que vem de décadas passadas — construída num contexto muito diferente do atual, em que o consumidor buscava exclusivamente tratamento e em que o conceito de bem-estar e estética era irrelevante para a definição de cobertura.
Hoje, esse cenário mudou completamente. O consumidor evoluiu. A tecnologia dos procedimentos evoluiu. A disposição de pagar por experiência evoluiu. Mas a regulamentação permanece ancorada no passado — e isso limita o que as operadoras podem oferecer, o que os corretores podem vender e o que o cliente pode contratar.
“A gente está sobre uma legislação que vem de décadas passadas. Sem sombra de dúvida, a gente precisa de uma modernização, um olhar mais voltado para o hoje. O mercado evoluiu. A lei ainda não.”
Para Sandro, a Porto está usando exatamente esse período de transição — anterior à modernização regulatória — para experimentar modelos, testar aceitação e se posicionar. Quem chegar primeiro com o produto certo, no formato certo, quando a regulação abrir espaço, vai ter uma vantagem competitiva difícil de recuperar.
Odonto corporativo: produtividade e retenção começam pela saúde bucal
Sandro também dialogou com o argumento apresentado por Maurício Rocha, do painel de saúde: as empresas estão cada vez mais atentas ao impacto da saúde na produtividade e na retenção de talentos. E o odonto, historicamente tratado como um complemento menor do pacote de benefícios, começa a ganhar um papel mais central nessa equação.
Um beneficiário com saúde bucal preservada e autoestima elevada trabalha melhor, falta menos e está mais engajado. Esse argumento, que já é consolidado para o plano de saúde médico, ainda é pouco explorado para o odonto — e representa uma oportunidade concreta para o corretor que atende o segmento empresarial.
A Porto enxerga o odonto corporativo como uma das principais frentes de crescimento do segmento nos próximos anos. E o Odontox, ao expandir o escopo do produto para além do tratamento, reforça esse posicionamento: o plano odontológico que o corretor oferece hoje pode ser muito mais do que o cliente imagina que é.
O corretor como agente dessa transição
Sandro encerrou sua participação com um chamado direto ao canal corretor: a transição do odonto de produto de tratamento para ecossistema de bem-estar não vai acontecer sozinha. Ela depende de corretores dispostos a aprender o produto, a apresentar o argumento certo para o cliente certo e a ocupar o espaço antes que outros canais o façam.
A Porto, segundo Sandro, está construindo esse caminho junto com o corretor — com treinamentos, plataforma online e um time comercial que acompanha o processo de inserção do produto nas carteiras. O Odontox é o primeiro passo de uma jornada que, conforme a regulamentação avançar, deve gerar produtos ainda mais robustos no segmento estético.
“A gente está experimentando a aceitação do mercado corretor para poder evoluir — e quem sabe chegar com soluções no segmento de saúde também. A Porto sempre esteve na vanguarda. No odonto não vai ser diferente.”



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