Quem acha que a IA vai substituir o corretor está olhando para o problema errado

Durante os últimos dois anos, poucas tecnologias provocaram tanta discussão no mercado quanto a inteligência artificial. No setor de seguros, ela já está presente na precificação de riscos, na análise de documentos, no atendimento ao cliente, na regulação de sinistros e em diferentes processos internos das seguradoras. Ao mesmo tempo em que essas soluções ganham espaço, cresce uma dúvida entre os profissionais do mercado: qual será o papel do corretor em um cenário cada vez mais automatizado?
Para a Justos Seguros, essa discussão parte de uma leitura incompleta sobre o impacto da IA. A tecnologia não reduz a importância do corretor. Pelo contrário. À medida que assume atividades operacionais e repetitivas, abre espaço para que esses profissionais atuem de forma cada vez mais consultiva, fortalecendo justamente aquilo que nenhuma ferramenta consegue substituir: a relação de confiança com o cliente.
"A inteligência artificial é extremamente eficiente para processar informações, identificar padrões e automatizar tarefas. Mas decidir qual é a melhor proteção para uma família ou para uma empresa continua sendo uma conversa baseada em contexto, experiência e confiança. É aí que o corretor ganha ainda mais relevância", afirma Alan Leal, diretor-presidente e COO da Justos Seguros.
Essa mudança acompanha uma transformação mais ampla do próprio mercado segurador. Durante décadas, boa parte da rotina dos corretores esteve concentrada em atividades administrativas, como preenchimento de propostas, conferência de documentos, acompanhamento de processos e esclarecimento de dúvidas operacionais. Embora essenciais para o funcionamento da operação, essas tarefas limitavam o tempo disponível para o relacionamento com o cliente e para o desenvolvimento de novos negócios.
Com a incorporação da inteligência artificial a diferentes etapas da jornada do seguro, esse cenário começa a mudar. Processos antes realizados manualmente passam a ser concluídos em poucos minutos, reduzindo retrabalho e aumentando a produtividade dos profissionais.
Segundo Leal, esse ganho de eficiência representa uma mudança importante na própria natureza da profissão. "A tecnologia não elimina o corretor; ela elimina o trabalho operacional que consumia grande parte do seu dia. Isso permite que ele exerça um papel muito mais estratégico, entendendo melhor o cliente, oferecendo orientação personalizada e construindo relacionamentos de longo prazo."
Esse movimento acontece em um momento em que os consumidores também mudaram suas expectativas. Acostumados a experiências digitais em diferentes segmentos da economia, eles esperam contratar produtos de forma simples, acompanhar processos em tempo real e receber respostas rápidas. Ao mesmo tempo, querem apoio para entender coberturas, comparar alternativas e tomar decisões mais conscientes sobre sua proteção.
Na avaliação da Justos, esses dois fatores tornam a atuação do corretor ainda mais relevante. Quanto mais sofisticados se tornam os produtos e maior o volume de informações disponíveis, maior também é a necessidade de um profissional capaz de transformar dados em orientação prática.
"A tecnologia consegue dizer muita coisa sobre um risco, mas não substitui a capacidade de interpretar a realidade de cada cliente. O corretor continua sendo quem conecta todas essas informações e ajuda as pessoas a fazerem escolhas mais seguras", explica o executivo.
Na Justos, essa visão orienta o desenvolvimento das ferramentas disponibilizadas aos parceiros comerciais. Em vez de substituir a atuação dos corretores, a seguradora investe em soluções que simplificam a rotina operacional, oferecem mais autonomia e reduzem atritos ao longo da jornada de contratação e gestão do seguro. O objetivo é permitir que esses profissionais dediquem mais tempo ao atendimento consultivo e menos às tarefas burocráticas.
A tendência acompanha um movimento observado em diferentes setores da economia. À medida que a inteligência artificial automatiza processos, cresce a demanda por profissionais capazes de interpretar cenários, construir relacionamentos e gerar confiança. No mercado de seguros, essa característica ganha ainda mais peso, já que a decisão de contratar uma apólice envolve fatores que vão além de preço ou velocidade.
"O cliente pode contratar praticamente qualquer serviço de forma digital hoje. O que continua fazendo diferença é ter alguém em quem confiar quando se precisa tomar uma decisão importante. A inteligência artificial amplia a capacidade do corretor, mas não substitui aquilo que faz dele um profissional indispensável", conclui Leal.
Para a Justos, o futuro do mercado não será marcado pela disputa entre pessoas e tecnologia, mas pela combinação entre inteligência artificial e relacionamento humano. Em um setor cada vez mais digital, o corretor tende a deixar de ser reconhecido pelo trabalho operacional e passar a ser valorizado pelo conhecimento, pela capacidade consultiva e pela proximidade com o cliente, atributos que seguem sendo essencialmente humanos.


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