Seguro residencial orientado por dados: como conhecer a carteira ajuda a construir ofertas mais adequadas

Dados do relatório “Análise de Impacto Regulatório”, publicado em 2025 pela Susep, mostram que o número de apólices de seguro compreensivo residencial passou de 16,66 milhões, em 2022, para 17,88 milhões, em 2024, crescimento de 7,31%. Apesar da alta, esse volume correspondia a cerca de 20% dos aproximadamente 90 milhões de domicílios estimados no país.
Essa diferença entre o crescimento das apólices e a parcela ainda descoberta ajuda a dimensionar o espaço para ampliar a distribuição do produto. Para empresas e corretoras que administram grandes bases de clientes, porém, alcançar mais pessoas envolve entender quais proteções podem fazer sentido para os diferentes grupos presentes naquela carteira.
Uma mesma base pode reunir proprietários e inquilinos, diferentes composições familiares, hábitos e formas de relacionamento com a empresa parceira. Essas informações permitem identificar grupos com necessidades semelhantes e avaliar quais coberturas, assistências, faixas de preço, canais e momentos de contato são mais adequados a cada um deles.
Personalização em grandes bases não significa uma apólice para cada cliente
Em operações massificadas, personalizar não exige desenvolver uma configuração exclusiva para cada pessoa. O trabalho pode partir da identificação de segmentos com características ou necessidades próximas e, a partir deles, definir os componentes da oferta. A seguradora e o parceiro avaliam as proteções mais compatíveis com cada grupo, além de preço, forma de apresentação, canal e momento mais adequados para a oferta. Com essas informações e os dados fornecidos pela empresa parceira, a seguradora estrutura a melhor solução.
A análise dos diferentes perfis também evita associar automaticamente uma oferta mais extensa a uma proteção mais adequada. Dependendo do produto e das condições contratadas, o seguro residencial pode contemplar incêndio, danos elétricos, roubo ou furto qualificado, eventos climáticos, quebra de vidros e despesas relacionadas ao aluguel, entre outras possibilidades. Já as assistências podem incluir serviços elétricos, hidráulicos e de chaveiro, além de opções vinculadas a necessidades específicas dos públicos atendidos. A escolha depende do que cada composição acrescenta àquele grupo e do equilíbrio entre proteção, preço e simplicidade de contratação.
Integração tecnológica resolve uma parte da distribuição
Inserir o seguro em um aplicativo, plataforma ou fluxo que o cliente já utiliza facilita o acesso ao produto, mas a integração tecnológica não responde sozinha a questões sobre público, composição da oferta e momento de apresentação.
Em projetos de embedded insurance, essas decisões precisam acompanhar a própria incorporação do seguro à jornada do parceiro. Cristiane Junqueiro, head da Simple2u, resume essa necessidade ao afirmar que é preciso ter “uma jornada mapeada de ponta a ponta”.
A integração entre sistemas viabiliza a operação em escala, mas exige acompanhamento também fora da camada tecnológica, afinal “a tecnologia não anda sozinha", conforme afirmou Cristiane. Na Simple2u, esse entendimento envolve a validação da operação antes da entrada da solução em produção, para verificar se o percurso previsto para o cliente funciona de forma coerente em todas as etapas.
A própria forma de apresentar o seguro pode mudar conforme o ponto de contato. Um produto oferecido durante determinada interação do cliente com a empresa parceira encontra uma situação diferente daquela apresentada de maneira isolada, sem relação direta com o que motivou aquele acesso. Definir onde a proteção entra na jornada é, portanto, parte do desenho da operação.
Para empresas e corretoras, conhecimento da base orienta oportunidades concretas
A incorporação do seguro residencial pode ampliar o portfólio de empresas e corretoras que já mantêm relacionamento com grandes grupos de clientes. A existência dessa relação anterior reduz a necessidade de iniciar a distribuição sem informações sobre o público: histórico de interação, características da carteira e comportamento nos canais podem contribuir para selecionar segmentos e organizar as primeiras ofertas, sempre observadas as regras de privacidade e o uso adequado dos dados.
Para a corretora, essa organização permite discutir a proteção a partir das características da conta que administra. Para a empresa parceira, o seguro pode ser incorporado a pontos de contato já existentes com seus clientes. Para a seguradora, as informações obtidas durante a operação ajudam a identificar como os diferentes segmentos respondem às ofertas.
A inclusão de uma nova proteção também amplia as possibilidades de relacionamento e pode abrir novas fontes de receita dentro de uma base já existente. Esses efeitos, porém, dependem da resposta dos clientes e da execução da operação, sem garantia automática de adesão ou resultado comercial.
O comportamento do cliente mostra onde a operação precisa de ajustes
Colocar o produto à disposição do público é apenas uma etapa. Depois da implantação, o funil mostra quantos clientes receberam a oferta, quantos iniciaram a contratação, até onde avançaram e em quais etapas houve interrupções. “A Simple2u já aplica esse modelo de atuação em parcerias com empresas que mantêm relacionamento com grandes bases de clientes. Nessas experiências, o trabalho vai além da integração do produto e combina análise da carteira, acompanhamento da jornada, suporte às equipes do parceiro e evolução contínua da operação”, afirmou a head da Simple2u.
Esses dados permitem investigar causas diferentes para um mesmo resultado. Uma contratação interrompida pode estar associada à composição do produto, à comunicação, ao fluxo tecnológico, à quantidade de etapas ou ao pagamento. Sem essa separação, há o risco de interpretar toda desistência como falta de interesse pelo seguro.
Essas informações obtidas durante a operação podem orientar mudanças no fluxo, nas ações de CRM, no suporte, na comunicação e na segmentação dos públicos. Cada ajuste pode ser acompanhado pelos resultados seguintes, permitindo comparar o comportamento da carteira antes e depois das alterações realizadas.
Embora as experiências citadas pela Simple2u também envolvam outras modalidades de seguro, a insurtech considera que o mesmo método pode ser aplicado ao residencial, respeitadas as características de cada parceria e de cada base de clientes.
“O tamanho da base informa quantas pessoas podem ser alcançadas, mas não define qual oferta faz sentido para todos os clientes. Conhecer esses públicos e acompanhar a resposta de cada grupo permite tomar decisões sobre produto e jornada com informações da própria operação”, conclui Cristiane.






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