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Saúde mental, plano de saúde e o futuro dos benefícios corporativos

No TRENDS 26, Mauricio Rocha, superintendente sênior da Bradesco Saúde, conecta o crescimento econômico do Rio de Janeiro, o envelhecimento da população e a crise silenciosa de saúde mental para mostrar por que o plano de saúde deixou de ser benefício e virou ferramenta de retenção de talentos — e por que a prevenção rende R$ 7 para cada R$ 1 investido.
Saúde mental, plano de saúde e o futuro dos benefícios corporativos

Em um dos painéis mais baseados em dados do TRENDS 26, o maior evento de inovação do mercado segurador brasileiro, Maurício Rocha, Superintendente Sênior da Bradesco Saúde — empresa que integra um ecossistema de 12 milhões de segurados entre saúde e dental — conectou três tendências que raramente aparecem juntas numa mesma análise: o crescimento econômico acelerado do Rio de Janeiro, o envelhecimento progressivo da força de trabalho e uma crise de saúde mental que já custa mais de 1 trilhão de dólares por ano ao mundo.

Com 24 anos atuando no mercado de saúde suplementar com foco no Rio de Janeiro — cidade que ele acompanhou passar por dificuldades econômicas profundas e que agora vive um momento de retomada expressiva — Maurício apresentou um argumento que vai além do produto: o plano de saúde, quando bem posicionado, é a ferramenta de retenção de talentos mais eficaz que uma empresa pode oferecer. E o corretor que entender isso tem uma conversa completamente diferente para ter com seus clientes corporativos.

“Não tem lugar melhor para discutir o futuro do que no Museu do Amanhã. E ver a casa tão cheia, com tanto corretor preocupado com o amanhã, diz muito sobre o mercado que a gente tem.”

O Rio que cresceu — e o que isso significa para o corretor

Maurício abriu sua análise com um retrato econômico do Rio de Janeiro que poucos no setor costumam quantificar com precisão. Em 2025, o estado registrou um dos maiores crescimentos de PIB do Brasil. A taxa de desemprego ficou abaixo da média nacional. O Rio foi o segundo estado com maior criação de vagas formais do país. E o setor de óleo e gás — um dos principais motores econômicos do estado — cresceu 9% no ano.

Esses números não ficam restritos ao setor de energia. Quando trabalhadores do óleo e gás têm renda, eles consomem, contratam serviços e compram seguros. O efeito se dissemina pela economia local — e cria, no caso do mercado de saúde suplementar, um momento de demanda genuinamente favorável. Para o corretor com carteira no Rio, esse contexto é uma janela de crescimento que precisa ser aproveitada agora.

“Esse crescimento não fica restrito ao óleo e gás. A pessoa que trabalha ali compra no mercadinho, compra seguro — e isso se dissemina dentro da economia. É justamente nesse momento que a gente enxerga uma oportunidade enorme de venda de plano de saúde.”

Maurício também destacou que o crescimento econômico do Rio coincide com duas tendências demográficas que amplificam a demanda por planos de saúde: a redução do ingresso de jovens no mercado de trabalho e o aumento da idade média dos empregados. Quanto mais velha a força de trabalho, maior a frequência de utilização do plano — e maior a necessidade das empresas de oferecer uma cobertura robusta para reter esses profissionais.

470 mil afastamentos: a crise de saúde mental que as empresas ainda não precificaram

O dado mais impactante da apresentação de Maurício veio de uma área que muitas empresas ainda tratam como pauta de RH, e não como risco de negócio: a saúde mental. Em 2025, mais de 470 mil trabalhadores brasileiros foram afastados por transtornos mentais. O crescimento em relação ao ano anterior foi de 67%.

O número é expressivo por si só. Mas Maurício foi além e apresentou o dado que transforma a conversa sobre saúde mental de custo em investimento: para cada real investido em programas de prevenção direcionados, a empresa obtém R$ 7 de retorno. A conta não é teórica — está documentada em pesquisas de consultorias especializadas e referendada pela OMS, que estima que o mundo gasta 1 trilhão de dólares por ano com saúde mental.

“Mais de 470 mil afastamentos por transtornos mentais em um ano. Crescimento de 67% em relação ao ano anterior. E para cada real investido em prevenção, a empresa tem R$ 7 de retorno. A conta é fácil de fazer.”

Maurício fez uma crítica direta a benefícios corporativos que parecem modernos mas não geram resultado mensurável. Programas de day off e iniciativas de educação financeira têm apelo, mas não retinham talentos nem reduziam afastamentos. O que funciona, segundo os dados que ele apresentou, é o combinado de plano de saúde robusto com cobertura efetiva de saúde mental — psicologia online, redes credenciadas estruturadas, programas de acolhimento.

TEA, doenças crônicas e o plano que precisa dar conta de tudo

Além da saúde mental, Maurício mapeou outras duas tendências que estão redesenhando o perfil de utilização dos planos de saúde corporativos: o aumento da prevalência de doenças crônicas — que já foi abordado por Denise Carvalho com os exemplos dos medicamentos de alto custo — e o crescimento dos transtornos do neurodesenvolvimento, como TEA e TGD.

Para esses dois grupos, a cobertura genérica não é suficiente. É preciso ter rede credenciada estruturada, programas específicos de acompanhamento e uma proposta de cuidado que vá além da consulta médica padrão. A Bradesco Saúde, segundo Maurício, tem desenvolvido exatamente essa estrutura: psicologia online incluída em todos os produtos, e um programa de acolhimento para famílias com crianças no espectro autista que acompanha o caso do diagnóstico à inserção na rede credenciada.

Para o corretor que atende empresas, esse portfólio de cuidados especializados é um argumento concreto de venda — especialmente em empresas com força de trabalho diversa, em que a probabilidade de ter beneficiários com essas necessidades é alta e crescente.

Dinheiro, saúde e tempo: o triângulo que o corretor pode ajudar a equilibrar

Maurício encerrou com uma reflexão que foi além dos dados e tocou numa questão estrutural da vida das pessoas: o desequilíbrio entre dinheiro, saúde e tempo ao longo das diferentes fases da vida.

Na juventude, há saúde e tempo — mas falta dinheiro. Na maturidade, há dinheiro e saúde — mas o tempo escasseia. Na velhice, há dinheiro e tempo — mas a saúde começa a falhar. Essa progressão, que ele descreveu com humor e precisão, aponta para um problema estrutural que o brasileiro historicamente não enfrenta com planejamento: não se preparar para parar de trabalhar, para envelhecer com qualidade e para manter o plano de saúde quando ele é mais necessário.

“O brasileiro não se prepara para parar de trabalhar. Não se prepara através de um fundo de previdência, de uma poupança para aproveitar a vida. O plano de saúde é fundamental — mas ele precisa vir junto com um planejamento mais amplo.”

O argumento fecha o círculo da apresentação de Maurício com uma oportunidade direta para o corretor: a empresa que cuida da saúde do seu profissional hoje — com um plano robusto, cobertura de saúde mental e suporte ao neurodesenvolvimento — está investindo na produtividade de hoje e na retenção de amanhã. E o corretor que conseguir traduzir esse argumento numa conversa consultiva com seus clientes empresariais vai ocupar um espaço que vai muito além da renovação anual de apólice.

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Postado em
9/6/2026
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