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Vida digital brasileira alcança 90,5% da população e abre um novo território de riscos para o mercado segurador

168,7 milhões de brasileiros conectados, idosos em alta e crianças em recuo por privacidade. O IBGE entrega ao mercado segurador um mapa detalhado de exposições e abre para o mercado a chance de expansão em riscos digitais.
Vida digital brasileira alcança 90,5% da população e abre um novo território de riscos para o mercado segurador

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, divulgada pelo IBGE e publicada pelo G1, registrou que 90,5% da população brasileira com 10 anos ou mais utilizou a internet em 2025, o equivalente a 168,7 milhões de pessoas, considerando o acesso feito nos 90 dias anteriores às entrevistas. Em 2024, o índice era de 89,2%. É preciso separar dois recortes que ajudam a entender o alcance dessas informações: os idosos foram a faixa etária com maior crescimento no acesso, saindo de 70,1% em 2024 para 74,5% em 2025, uma alta de 29,6 pontos percentuais em relação a 2019. Já as crianças de 10 a 13 anos apresentaram a única queda registrada tanto no uso da internet, que recuou de 84,9% para 84,4%, quanto na posse de celular, que caiu de 56,7% para 55,2%. Entre as razões apontadas aparecem preocupações com privacidade e segurança.

Uma superfície de risco que cresce junto com a conveniência

Números dessa magnitude atualizam o diagnóstico sobre exposição digital no país. Quando 98,7% dos usuários se conectam pelo celular e as principais atividades registradas envolvem chamadas de voz e vídeo (95,3%), troca de mensagens (90,2%) e uso de redes sociais (84,9%), a superfície de risco individual cresce na mesma proporção da conveniência que a conexão oferece. Golpes bancários por engenharia social, invasão de contas de mensagem, uso indevido de dados pessoais em cadastros e transações fraudulentas em aplicativos financeiros compõem uma camada de perdas que pode escapar às coberturas patrimoniais tradicionais, o que delimita uma frente específica para o mercado segurador brasileiro no território das apólices individuais contra riscos online.

Respostas contratuais para fraudes, invasões e extorsões digitais

O seguro cyber voltado à pessoa física responde justamente a esse conjunto de exposições porque inclui coberturas desenhadas para eventos como fraudes eletrônicas, sequestro de dados, exposição indevida de informações pessoais, extorsão digital e prejuízos decorrentes de compras enganosas em ambientes online. Uma vítima que tem a conta bancária invadida após clicar em um link falso, um usuário que perde acesso ao próprio email e vê suas contas comprometidas, ou uma família cujos dados foram utilizados para abertura de crédito indevido representam situações reais em que a apólice pode ressarcir perdas financeiras, cobrir custos com recuperação de dispositivos, financiar suporte jurídico especializado e, em alguns produtos, indenizar por danos morais associados à exposição indevida. Com a base de usuários crescendo em direção a quase toda a população com mais de 10 anos, esse tipo de cobertura encontra um público potencial mais abrangente dentro da classe média conectada, categoria antes tratada como nicho pelas seguradoras brasileiras.

O suporte que substitui o desamparo diante da fraude

A assistência digital responde a uma dimensão que a indenização financeira sozinha não resolve. Quando alguém sofre uma fraude online, o primeiro impacto envolve confusão, desorientação e a sensação de solidão diante de um ambiente técnico que a vítima nem sempre compreende, sobretudo em situações que exigem decisões rápidas sob pressão emocional. Serviços de assistência incluem canais de apoio para bloqueio imediato de contas, orientação passo a passo para troca de senhas, comunicação junto a bancos e provedores, acompanhamento em processos de contestação de transações, suporte para remoção de conteúdo indevido em redes sociais e auxílio técnico para recuperação de dispositivos infectados. O conjunto dessas ações consegue diminuir o intervalo entre o incidente e a contenção da perda, o que faz diferença concreta no valor final indenizado e na reconstrução da relação da pessoa com o ambiente digital.

Proteção financeira integrada ao ritmo das operações online

A proteção financeira relacionada ao uso da internet atua sobre um tipo específico de perda, reunindo desde coberturas para fraudes já consumadas até estruturas de monitoramento contínuo de crédito, alertas de exposição de dados em vazamentos, verificação de tentativas de abertura de contas em nome do segurado e acompanhamento de compras suspeitas em cartões cadastrados. Quando o IBGE registra que 90,2% dos internautas trocam mensagens e 89,3% consomem vídeos como principais atividades, e que 44,4% dos domicílios com televisão pagam por serviços de streaming, o retrato confirma o quanto os aplicativos financeiros e as plataformas digitais de pagamento se integraram à rotina cotidiana dos brasileiros conectados. Com um volume tão alto de transações diárias em ambientes digitais, o encaixe entre proteção patrimonial clássica e produtos voltados à segurança das operações on-line se aproxima, e o consumidor encontra sentido em contratar coberturas que dialogam com o que ele efetivamente faz na internet, sem a distância que costumava existir entre a apólice e a experiência de uso.

Jornadas próprias para idosos e crianças no ambiente digital

Os comportamentos identificados entre idosos e crianças exigem tratamento particular dentro da oferta de coberturas digitais. Os idosos, com 74,5% de presença online, 80,3% de uso de celular e o maior crescimento anual do levantamento em ambos os indicadores, encontram nas transações digitais um espaço de autonomia recente, condição que também os expõe com frequência a fraudes com clonagem de contas bancárias, falsos parentes em aplicativos de mensagens e boletos manipulados. Jornadas de contratação e de acionamento pensadas para esse público precisam considerar interfaces com tipografia legível, linguagem sem tecnicismos, canal humano acessível em horários compatíveis e assistência que reconheça a fragilidade específica desse tipo de vítima.

Do outro lado da faixa etária, a queda entre crianças de 10 a 13 anos, motivada por preocupações com privacidade e segurança segundo o próprio IBGE, indica famílias mais atentas aos riscos que o ambiente digital oferece, um público sensível a coberturas familiares com controle parental integrado, orientação sobre uso seguro da internet, apoio em episódios de cyberbullying e monitoramento contra exposição indevida em redes sociais.

O retrato do IBGE e a oferta das seguradoras

O panorama desenhado pela PNAD Contínua 2025 mostra um país cuja rotina digital ocupa espaços antes reservados às operações presenciais, com diferença de acesso entre áreas urbanas e rurais reduzida de 37,5 pontos percentuais em 2016 para 8,5 pontos em 2025 e ainda 17,7 milhões de brasileiros com 10 anos ou mais fora da rede, dos quais 44,9% apontam não saber usar como principal barreira. A resposta do mercado segurador a esse quadro depende de produtos capazes de atender o que já pertence ao cotidiano do consumidor: coberturas cyber com preço acessível para pessoa física, assistência digital com canais humanos disponíveis, proteção financeira integrada às operações bancárias mais comuns e jornadas ajustadas às necessidades específicas de quem está chegando à internet aos 60 anos ou de quem cuida de uma criança em processo de alfabetização digital. Assim, cabe às companhias construir apólices tão presentes na tela do celular quanto os aplicativos que geram a exposição.

Postado em
3/7/2026
 na categoria
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