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Com automação no operacional, corretores de seguros devem apostar em soft skills

A automação reduz tarefas operacionais e aumenta o peso de habilidades comportamentais entre corretores, peritos e analistas de sinistro no mercado segurador.
Com automação no operacional, corretores de seguros devem apostar em soft skills

Uma reportagem da Exame descreve como a automação assume parte das funções operacionais no mercado de trabalho e exige dos profissionais um conjunto de competências que ultrapassa o domínio técnico: inteligência emocional, capacidade de adaptação e alinhamento com a cultura da empresa. O texto também aponta que estruturas hierárquicas rígidas estão sendo substituídas por modelos com mais autonomia, e que o networking funciona como caminho de acesso a vagas de emprego que nunca chegam a ser publicadas.

No mercado segurador, sistemas automatizados já calculam preços, processam apólices simples e analisam grandes volumes de dados de sinistros em segundos. Basta perceber que uma cotação que levava dias para ser fechada acontece agora em uma tela de celular, sem intervenção humana em nenhuma etapa. Restou ao profissional dominar o que a máquina não alcança: a conversa com um cliente que perdeu a casa em um incêndio, a explicação de uma cláusula em linguagem acessível para quem nunca leu um contrato de seguro, a negociação de uma cobertura que se ajusta a uma realidade que nenhum formulário descreve com precisão.

O corretor diante de um cliente que já compara preços no celular

Diante desse novo perfil de consumidor que está já está adaptado ao virtual, um corretor que apenas repassa tabelas de preço compete diretamente com comparadores digitais e, é claro, perde. A diferença aparece quando o profissional examina o perfil de quem está na outra ponta: um motorista de aplicativo, uma família com filhos pequenos ou um pequeno empresário com funcionários registrados, por exemplo; cada um carregando riscos específicos que um questionário padronizado não captura. Montar uma cobertura a partir dessa interpretação exige escuta atenta e raciocínio analítico, não apenas conhecimento de produto.

Sinistro: o momento em que a comunicação pesa mais que o contrato 

A área de sinistros concentra o ponto de maior tensão entre segurado e seguradora. Um cliente que aciona o seguro está, na maioria das vezes, lidando com um carro batido, uma casa danificada ou um diagnóstico grave. Explicar prazos, documentos exigidos e critérios de análise nesse momento exige clareza e controle emocional. Uma negativa de cobertura comunicada sem cuidado transforma um processo técnico em um conflito — mesmo quando a decisão está correta. A automação processa o documento; a conversa que evita o desgaste continua sendo trabalho humano.

Reputação: a rede que sustenta a carreira

Boa parte da carteira de um corretor vem de indicação: clientes satisfeitos que recomendam o profissional a familiares e colegas, relacionamentos construídos em sindicatos patronais, associações regionais e eventos do setor. Peritos e analistas de sinistro constroem reputação de forma parecida, através de relações com corretores e seguradoras que moldam oportunidades de promoção e mudança de área ao longo dos anos. Currículo técnico abre a primeira porta; a rede de contatos abre as próximas.

Preparação contínua como diferencial de longo prazo

Cursos de comunicação aplicada a vendas consultivas, treinamentos de escuta ativa voltados a atendimento em situações de crise e participação em eventos do setor formam uma base concreta para quem quer se diferenciar. Regulamentações do setor mudam com frequência, e acompanhar essas mudanças evita que o profissional perca relevância diante de novas exigências de compliance e atendimento. 

O corretor moderno: sobra espaço para quem traduz, negocia e acompanha

A automação já está eliminando a versão do profissional que só repete informação, que está preso aos antigos manuais sobre como fazer determinado approach, às metodologias empoeiradas que, sim, dão base para a compreensão de certas tecnicidades das profissões, mas não ensinam nem explicam como lidar com a contemporaneidade do indivíduo virtualizado (que é fluida e complexa). A boa notícia é que está sobrando espaço justamente para quem traduz, interpreta, negocia e acompanha pessoas em momentos que nenhum algoritmo vive por elas, ou seja: o domínio técnico e o repertório comportamental amplo definem, juntos, quem vai ocupar boas posições no mercado segurador.

Assim, a era digital não reduz a importância do fator humano no mercado segurador; ela isola o que há de mais humano nessa profissão e transforma isso na principal vantagem competitiva de quem decide ficar.

Postado em
16/6/2026
 na categoria
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