Inovação

Porto aposta na hiperpersonalização para mudar a relação do brasileiro com o seguro

Suzane Rodrigues, gerente de produto auto da Porto, mostra como dados, telemetria e hiperpersonalização podem transformar o seguro de uma obrigação burocrática em uma relação de confiança — e o corretor de vendedor em consultor estratégico.
Porto aposta na hiperpersonalização para mudar a relação do brasileiro com o seguro

Há um diagnóstico que poucos no mercado segurador têm a coragem de verbalizar com tanta clareza: para a maioria dos clientes, o seguro auto é encarado da mesma forma que o pagamento do IPVA. Uma despesa. Uma obrigação. Algo que se paga sem prazer e se lembra apenas quando algo dá errado.

Foi com essa constatação direta que Suzane Rodrigues, Gerente de Produto Auto da Porto, abriu sua participação no painel de Tendências no Seguro Auto do TRENDS 26 . E foi a partir dela que construiu uma visão sobre como a personalização, os dados e a tecnologia podem virar esse jogo de ponta a ponta.

"O cliente olha o seguro como o pagamento de um IPVA. A gente precisa mudar isso — e a personalização é o caminho."

O problema: seguro como obrigação burocrática

Na análise de Suzane Rodrigues, o cliente médio de seguro auto entra em contato com sua seguradora em apenas dois momentos ao longo do ano: quando sofre um sinistro — sempre uma experiência negativa, marcada por estresse e burocracia — e quando chega a data de renovação da apólice. Para quem passa o ano inteiro sem acionar o seguro ou a assistência, o produto é, na prática, invisível.

"O cliente que não tem sinistro e não usa assistência praticamente não percebe o seguro. É uma despesa, ele olha aquilo como o pagamento de um IPVA", explicou. Essa invisibilidade tem um custo alto: ela impede que o segurado desenvolva qualquer senso de valor pelo produto que contratou, tornando a renovação uma decisão quase exclusivamente baseada em preço.

O desafio que Rodrigues coloca ao mercado é, portanto, mais profundo do que simplesmente baixar o custo ou ampliar coberturas. É sobre mudar a natureza da relação. Transformar o seguro de um contrato passivo em uma presença ativa na vida do cliente — algo que ele perceba, valorize e recomende.

A solução: do produto engessado ao ecossistema de proteção

A resposta que Suzane Rodrigues apresenta passa por três frentes que se reforçam mutuamente: o uso inteligente de dados para personalizar a oferta antes mesmo do primeiro contato, a telemetria para acompanhar o cliente ao longo do tempo, e a hiperpersonalização como motor de uma relação contínua e proativa.

No campo dos dados, a executiva deu exemplos práticos e imediatos. Um corretor que cruza o CEP de residência do cliente com índices externos de criminalidade, meteorologia e risco regional chega à conversa com informações que o cliente reconhece como reais e relevantes. "Olha, a região do seu trabalho é afetada em mais de 40% por alagamentos no verão. Você precisa de uma cobertura que cubra esse risco", exemplificou. "O cliente se sente conectado porque aquele dado é uma realidade na rotina dele."

"O corretor que usa dados para conhecer o cliente deixa de ser um mero vendedor de seguros e passa a ser um consultor estratégico."

A telemetria acrescenta uma camada ainda mais poderosa a essa equação. Ao monitorar o comportamento real de direção — frequência de uso, horários, rodovias percorridas, padrão de frenagem —, é possível construir um perfil de risco verdadeiramente individual. O cliente que viaja muito à noite em rodovias precisa de uma assistência 24 horas com quilometragem ilimitada. O cliente que mal usa o carro durante meses pode se beneficiar mais de um seguro por assinatura do que de uma apólice anual tradicional.

"Se você vê que o cliente quase não usa o carro, de repente um seguro tradicional não é mais indicado para ele", disse Rodrigues. Nesse contexto, ela citou o Azul por Assinatura da Porto Seguro: uma modalidade que permite ao segurado ativar e cancelar a cobertura conforme sua necessidade real de uso, sem ônus pela inatividade.

Proatividade: de reativo a preventivo

Um dos pontos mais concretos da apresentação de Suzane Rodrigues foi a defesa de um modelo proativo de relacionamento — no qual a seguradora deixa de esperar o sinistro acontecer para só então interagir com o cliente.

Com acesso a dados de localização e previsões meteorológicas em tempo real, é perfeitamente viável, segundo ela, que a seguradora envie ao segurado um alerta antecipado: "Para as 16h está prevista uma chuva de granizo na sua região. Proteja seu veículo e se proteja." Um gesto simples, que transforma completamente a percepção do cliente sobre o valor do serviço que contratou.

"Ao invés de ser reativo diante de um sinistro, o corretor e a seguradora passam a ser proativos — trazendo informações para o cliente prevenir o problema antes que ele aconteça."

Essa mudança de postura — de reativa para preventiva — é, na visão da executiva, o que mais aproxima o seguro da vida real do cliente. E é também o que mais diferencia um produto personalizado de uma apólice genérica.

O ciclo de vida do cliente: um ecossistema de oportunidades

Suzane Rodrigues foi além do seguro auto ao descrever como a personalização baseada em dados pode revelar oportunidades em toda a jornada de vida do cliente. O exemplo que usou é simples e poderoso: um segurado que contratou o seguro quando era jovem e solteiro, dirigindo um esportivo, provavelmente mudou muito ao longo dos anos. Hoje pode ser casado, ter filho pequeno, dirigir uma SUV, morar em outra cidade.

Cada uma dessas mudanças representa uma transformação no perfil de risco — e uma oportunidade de oferta. "Se ele tem filho pequeno, precisa de seguro de vida, precisa de previdência. Se está com casa nova, essa casa está protegida?", questionou. "É um ecossistema em torno do cliente que, através dos dados, você consegue acompanhar e trabalhar produtos de várias formas."

Na visão de Rodrigues, o corretor que opera com esse olhar deixa de vender um produto e passa a ser percebido pelo cliente como um agente de gerenciamento de risco — não só do automóvel, mas de toda a vida. "O cliente deixa de ver o seguro como uma obrigação burocrática e passa a enxergar o corretor e a seguradora como parceiros estratégicos", resumiu.

Postado em
5/6/2026
 na categoria
Inovação
Deixe sua opinião

Mais sobre a categoria

Inovação

VER TUDO