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Furtos em obras destacam a necessidade de soluções inovadoras no seguro patrimonial para o setor da construção

Furtos em canteiros de obras expõem fragilidades na proteção de ativos da construção civil e reforçam a importância de seguros patrimoniais aliados a tecnologias de monitoramento e gestão de riscos.
Furtos em obras destacam a necessidade de soluções inovadoras no seguro patrimonial para o setor da construção

Furtos recorrentes ampliam alerta sobre a segurança em obras

Em uma construção localizada às margens da rodovia PR-466, no município de Ivaiporã, o responsável pelo local constatou o desaparecimento de materiais e ferramentas após retornar ao canteiro dias depois de sua última visita. A ocorrência foi registrada pela Polícia Militar do Paraná e evidencia um tipo de prejuízo recorrente na construção civil. As investigações conduzidas pela Polícia Civil do Paraná apontaram para uma sequência de crimes patrimoniais na região norte do estado, onde um homem é investigado por diversos furtos e roubos em cidades como Jataizinho e Ibiporã, com ações realizadas principalmente durante a madrugada, envolvendo invasões a imóveis e estabelecimentos comerciais. As apurações foram possíveis a partir da análise de câmeras de segurança e do cruzamento de informações entre boletins de ocorrência. Casos desse tipo revelam um cenário recorrente que atinge empresas, fornecedores e investidores. Além do prejuízo material, essas ocorrências podem comprometer prazos e elevar custos operacionais das obras, reforçando a necessidade de estratégias mais estruturadas de prevenção e proteção patrimonial.

Prejuízos que ultrapassam a perda de materiais

Furtos, vandalismo e depredação continuam entre os fatores que mais pressionam os custos na construção civil. Além da perda direta de equipamentos e insumos, esses episódios podem provocar interrupções no cronograma, reposição emergencial de materiais e atrasos na entrega de empreendimentos — fatores que frequentemente resultam em multas contratuais e aumento do custo final das obras. Em 2024, por exemplo, a Polícia Civil de São Paulo prendeu integrantes de uma quadrilha envolvida no roubo de carretéis de cobre em um canteiro da Linha 6–Laranja do Metrô da capital, localizado no bairro Freguesia do Ó. Os suspeitos utilizaram caminhões e até empilhadeiras para retirar o material, ação registrada por câmeras de segurança. Diante desse cenário, entidades do setor intensificam iniciativas voltadas à prevenção. O SindusCon-SP, em parceria com o SENAI e o Seconci-SP, ampliou as ações do Programa SindusCon-SP de Segurança (PSS), que orienta empresas e trabalhadores na aplicação da Norma Regulamentadora nº 12 (NR‑12) para garantir o uso seguro de máquinas e equipamentos nos canteiros. Nesse contexto, o seguro patrimonial ganha peso como ferramenta de proteção financeira. Mais do que compensar perdas, ele passa a integrar estratégias mais amplas de gestão de riscos, que envolvem segurança operacional, prevenção de crimes e proteção dos ativos nas obras.

Apólices inteligentes e proteção ajustada ao perfil de cada obra

A incorporação de tecnologias conectadas pode ajudar n a forma como o seguro patrimonial é estruturado no setor da construção. Muitas seguradoras passaram a integrar ferramentas de monitoramento, como sensores, rastreadores e sistemas digitais de controle às suas soluções. Em alguns casos, a própria contratação da apólice pode estar vinculada à adoção desses dispositivos, medida que contribui para reduzir a probabilidade de perdas e, consequentemente, o custo do seguro. Outro ponto central é a adaptação das coberturas às características específicas de cada empreendimento. Elementos como localização do canteiro, tipo e dimensão da obra, valor dos materiais utilizados e presença de equipamentos de alto custo influenciam diretamente a avaliação de risco e a estrutura das apólices. Desenvolvido para proteger construtores e empreiteiros contra perdas inesperadas, incluindo furtos e danos durante a execução da obra, esse tipo de cobertura também pode ser exigido em contratos financiados por instituições financeiras. Além de proteger o investimento, a presença dessa garantia contribui para aumentar a credibilidade das empresas e viabilizar novos projetos.

Prevenção, gestão de riscos e digitalização redefinem a proteção patrimonial

O mercado segurador tem desenvolvido soluções mais direcionadas ao setor da construção, combinando cobertura patrimonial com consultoria especializada e estímulos à adoção de tecnologias de segurança. A proposta é fortalecer a prevenção para reduzir a frequência de sinistros e, assim, minimizar impactos financeiros para empresas e seguradoras. No entanto, a proteção não depende exclusivamente do seguro. Construtoras e incorporadoras também precisam reforçar suas políticas internas de segurança, com medidas como controle de acesso aos canteiros, iluminação adequada, monitoramento constante e protocolos operacionais mais rigorosos. Quando essas práticas são integradas a coberturas bem estruturadas, cria-se uma estratégia mais consistente de gestão de riscos, especialmente importante em projetos de grande porte, nos quais qualquer interrupção pode gerar prejuízos relevantes. Paralelamente, a digitalização vem ampliando o acesso ao seguro patrimonial. Plataformas online permitem simular coberturas, comparar propostas e administrar apólices de forma mais ágil, facilitando a contratação sobretudo por pequenas e médias empresas da construção. 

Um alerta para toda a cadeia da construção

Dentro de um ambiente marcado por equipamentos de alto valor, cadeias logísticas complexas e cronogramas sensíveis, qualquer falha de segurança pode se transformar rapidamente em prejuízo financeiro e operacional. Dito isso, o seguro patrimonial, com a junção de monitoramento tecnológico, análise de dados e apólices adaptadas às particularidades das obras, possibilita uma gestão estratégica de riscos, além da simples indenização. Ao mesmo tempo, construtoras, seguradoras e corretores passam a atuar de forma mais interligada, compartilhando informações e ferramentas que permitem antecipar vulnerabilidades antes que se transformem em sinistros. O resultado é um modelo de proteção mais inteligente, no qual tecnologia, prevenção e seguro caminham lado a lado. Em um setor que constrói cidades e infraestrutura, a segurança precisa ser planejada com a mesma precisão que os projetos estruturais. Quanto mais integrada for essa proteção, maior será a capacidade de manter obras em andamento e investimentos protegidos, mesmo diante de um ambiente de riscos inesperados.

Postado em
10/3/2026
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