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Monitoramento de Motociclistas: Tecnologia da 99 e Impactos no Seguro

Tecnologia de telemetria da 99 para motociclistas parceiros reforça tendências de seguros baseados em comportamento, impulsiona gestão de riscos e abre espaço para novos modelos de precificação no segmento de frotas.
Monitoramento de Motociclistas: Tecnologia da 99 e Impactos no Seguro

Telemetria ganha espaço na mobilidade urbana e no setor de seguros

A medida da 99 de monitorar o comportamento dos motociclistas parceiros demonstra como o uso de dados pode ser usado para a prevenção de riscos, personalização de produtos e redução da sinistralidade. A tecnologia desenvolvida pela plataforma utiliza recursos de telemetria para acompanhar padrões de condução em tempo real. Entre os indicadores analisados estão acelerações e frenagens bruscas, excesso de velocidade, curvas acentuadas, mudanças repentinas de faixa e outros comportamentos considerados de risco no trânsito urbano. Esse modelo aproxima as plataformas de mobilidade das estratégias já adotadas por seguradoras em seguros baseados em uso, conhecidos como UBI (Usage Based Insurance). Nesse formato, a avaliação, além de considerar fatores tradicionais, como idade, região ou histórico de sinistros, passa a incluir hábitos reais de direção. Na prática, motoristas com comportamento mais prudente tendem a representar menor risco, o que abre espaço para seguros mais personalizados, ações preventivas e modelos de precificação mais precisos.

Cenário nacional e impactos da medida

A tecnologia utilizada pela 99 conta com sensores e algoritmos para detectar irregularidades e emitir alertas preventivos aos condutores em tempo real. A companhia também pretende incluir no monitoramento infrações como avanço de sinal vermelho, circulação na contramão e uso indevido de calçadas. Dados do Relatório de Direção da empresa, referentes ao primeiro trimestre de 2026, mostram resultados expressivos na mudança de comportamento dos motociclistas. No Rio de Janeiro, cidade escolhida para o projeto piloto, até 82% dos condutores corrigiram práticas consideradas perigosas após receberem notificações no aplicativo. O melhor desempenho foi registrado em março, período em que a capital fluminense já estava buscando a fiscalização de manobras arriscadas envolvendo motoristas de aplicativos, medida à qual a plataforma aderiu. Em geral, o monitoramento comportamental de motociclistas pode gerar impactos relevantes não só para as plataformas de mobilidade, mas também para o trânsito, seguradoras e os próprios condutores. 

Dados comportamentais fortalecem precificação personalizada

Ao utilizar dados em tempo real para identificar práticas perigosas, a tecnologia fortalece uma cultura de prevenção em vez de atuar apenas após acidentes e sinistros. Além disso, um dos principais efeitos positivos está na possibilidade de redução de acidentes urbanos. Alertas preventivos e acompanhamento contínuo tendem a estimular mudanças graduais de comportamento, tornando a condução mais prudente e reduzindo situações de risco envolvendo excesso de velocidade, frenagens abruptas e manobras perigosas. Esse monitoramento contínuo tende a contribuir para a redução de acidentes urbanos, especialmente entre motociclistas que atuam em entregas e aplicativos de mobilidade – categorias com alta exposição ao risco nas grandes cidades.

Crescimento dos motociclistas por aplicativo amplia atenção do mercado segurador

O número de trabalhadores atuando por aplicativos no Brasil cresceu 25,4% entre 2022 e 2024, segundo levantamento do IBGE. Dentro desse quadro, os motociclistas ocupam posição de destaque na economia de plataformas digitais.Dados da PNAD Contínua mostram que o Brasil contabilizou cerca de 1,1 milhão de motociclistas em atividade principal em 2024. Desse total, 351 mil trabalhavam por aplicativos, representando 33,5% da categoria – avanço relevante em relação a 2022, quando profissionais de app correspondiam a cerca de um quarto dos motociclistas. O crescimento desse modelo de trabalho também amplia os desafios relacionados à segurança viária e à gestão de riscos, já que motociclistas estão entre os grupos mais expostos a acidentes no trânsito urbano. Diante desse cenário, seguradoras vêm intensificando investimentos em telemetria, análise preditiva e monitoramento comportamental para compreender padrões de condução e tornar a precificação mais precisa. Com dados mais detalhados sobre hábitos ao volante, as companhias conseguem criar seguros mais personalizados, oferecendo condições mais competitivas para condutores prudentes e direcionando ações preventivas para perfis de maior risco. Além da precificação, o acompanhamento contínuo fortalece campanhas educativas, treinamentos e iniciativas voltadas à direção segura, consolidando uma atuação mais preventiva e orientada por dados no setor segurador.

Telemetria reduz condutas de risco e aproxima seguradoras da mobilidade digital

Após a iniciativa, a 99 registrou queda de 53% no número de motociclistas com comportamento considerado inadequado no trânsito entre janeiro e março, no Rio de Janeiro. A tecnologia coleta dados de pilotagem e gera uma pontuação de desempenho que deve permanecer acima de 60%. Motoristas com índices inferiores podem sofrer restrições na plataforma, o que incentiva a mudança de comportamento nas vias e maior prudência no trânsito. Os primeiros resultados do relatório de direção foram apresentados pela empresa em evento realizado no último dia 21, enquanto a solução já começa a ser expandida para outras cidades brasileiras. O uso da telemetria acompanha uma tendência crescente no mercado segurador, que vem ampliando investimentos em IoT, inteligência artificial e análise de dados para aprimorar gestão de riscos e eficiência operacional. Nesse contexto, medidas como a da 99 fortalecem a integração entre seguradoras, insurtechs e plataformas digitais, criando espaço para seguros mais personalizados, modelos de precificação baseados em comportamento e ferramentas preventivas de segurança viária. Para além das indenizações após acidentes, o setor pode antecipar riscos e estimular a direção segura, transformando dados comportamentais em instrumentos estratégicos para prevenção, sustentabilidade financeira e redução da sinistralidade.

Tecnologia, prevenção e novos modelos de seguro

A expansão do uso da telemetria para  monitorar a prática dos motociclistas mostra que a mobilidade – e os seguros – tendem a ser cada vez mais conectados à prevenção e à análise comportamental. Ao transformar hábitos de condução em informações precisas, plataformas digitais e seguradoras deixam de atuar apenas na reparação de danos e constroem mecanismos sólidos para antecipar riscos e estimular práticas mais seguras no trânsito. A iniciativa da 99 indica como tecnologia, inteligência artificial e monitoramento em tempo real podem contribuir para reduzir condutas perigosas, melhorar a segurança viária e tornar os modelos de seguro mais personalizados. Em um cenário de crescimento acelerado do trabalho por aplicativos e alta exposição de motociclistas a acidentes urbanos, o uso de dados comportamentais tende a ganhar protagonismo na gestão de riscos. Além de ser uma ferramenta operacional, a telemetria promove uma mudança nos modelos de seguros – que, ao invés de olhar para o histórico do condutor, consideram, de forma contínua, como ele se comporta nas ruas. O resultado pode ser um ecossistema mais sustentável, com menos sinistros, precificação mais equilibrada e incentivo à direção responsável.

Postado em
28/5/2026
 na categoria
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