Nova regra de pontos na CNH reforça importância da gestão de riscos para o setor de seguros

Nova regra de pontuação torna suspensão mais criteriosa
A alteração no sistema de pontuação da CNH redefiniu os critérios para suspensão do direito de dirigir, substituindo o limite fixo de 20 pontos por um modelo escalonado que leva em conta a gravidade das infrações cometidas nos últimos 12 meses. Pelo novo critério, motoristas que não registrarem nenhuma infração gravíssima durante o período podem acumular até 40 pontos antes de iniciar o processo de suspensão; caso haja uma infração gravíssima, o teto passa a ser 30 pontos; e para quem cometer duas ou mais infrações gravíssimas, o limite volta a ser 20 pontos. Existe ainda uma exceção para motoristas profissionais com atividade remunerada registrada na CNH, que mantêm o limite de 40 pontos independentemente do número de infrações gravíssimas. Além disso, infrações consideradas autossuspensivas, como dirigir em velocidade muito acima do permitido ou participar de rachas, continuam a resultar em suspensão imediata, mesmo que o motorista não tenha atingido o limite de pontos acumulados. Com a atualização, seguradoras podem analisar perfis, estruturando produtos com base nesses dados e definindo preços mais adequados. O novo modelo promove mais detalhamento para a avaliação e maior precisão na segmentação do risco.
Fim da baliza e CNH para automático: reflexos no seguro auto
As novas diretrizes em relação à CNH vêm chamando atenção nos últimos meses. Recentemente, o Detran- SP propôs o fim da exigência da baliza no exame prático da CNH, autorizando também a realização da prova com veículos automáticos. A mudança acompanha a evolução da frota, cada vez mais composta por carros automáticos e eletrificados, e tende a simplificar o acesso à habilitação. Para o mercado de seguros, o impacto está na análise de perfil e comportamento do motorista. A possível ampliação de condutores habilitados apenas para veículos automáticos pode influenciar estatísticas de sinistralidade, padrões de direção e critérios de subscrição. Isso abre espaço para produtos mais segmentados, com precificação ajustada ao tipo de veículo conduzido e ao nível de exposição ao risco, reforçando a importância de dados e tecnologia na avaliação atuarial.
CNH gratuita para bons condutores
Uma outra regra anunciada pelo ministro dos Transportes trouxe a proposta de renovação gratuita da CNH para motoristas com bom histórico de direção, sem infrações ou com baixo acúmulo de pontos. Isso cria um estímulo à condução segura e abre espaço para inovação no mercado de seguros. Ao reconhecer condutores responsáveis, a medida pode reforçar a adoção de práticas de prevenção e incentivar seguradoras a desenvolverem produtos mais diferenciados, com benefícios específicos para motoristas de baixo risco. Isso fortalece a cultura de segurança no trânsito e favorece modelos de precificação que valorizem o comportamento do condutor, potencializando o uso de dados e tecnologia para segmentar melhor os perfis e reduzir a sinistralidade.
Sinistralidade elevada reforça necessidade de análise de risco mais precisa
Estimativas apontaram que entre 40% e 60% dos prêmios arrecadados no seguro auto são destinados ao pagamento de sinistros, refletindo a alta incidência de colisões, furtos, roubos e perdas totais. O país registra centenas de milhares de acidentes de trânsito por ano,causados pelo crescimento da frota, especialmente de motocicletas e pela intensificação do tráfego urbano e rodoviário. Em Parauapebas (PA), por exemplo, os números são ainda mais expressivos. Dados de uma associação do segmento registrada na SUSEP indicam que, em 2025, a taxa de sinistralidade chegou a 11,9%, o que significa que cerca de 12 a cada 100 associados se envolveram em acidentes no período, percentual significativamente superior à média nacional, estimada em aproximadamente 3%. Os impactos de um sinistro vão além dos danos materiais, afetando a mobilidade, a rotina e o orçamento dos condutores. Nesse contexto, a proteção veicular é um instrumento primordial de planejamento financeiro. Ao mesmo tempo, o cenário estimula as seguradoras a adotarem modelos de precificação mais personalizados, alinhando o valor do prêmio ao comportamento do motorista e à sua real exposição ao risco.
Tecnologia como aliada da precificação inteligente
Ferramentas como telemetria e inteligência artificial já fazem parte da estratégia de seguradoras que analisam o comportamento ao volante para ajustar cláusulas, incentivar boas práticas e equilibrar o cálculo do prêmio. Modelos preditivos cruzam informações sobre infrações, histórico de sinistros e padrões de condução, permitindo uma leitura mais detalhada da exposição ao risco. Com a nova dinâmica de pontuação da CNH, essas soluções tendem a ganhar ainda mais espaço, viabilizando ofertas flexíveis e alinhadas ao perfil individual do motorista. Assim, recursos como big data, análise avançada de dados e monitoramento em tempo real são fatores que podem contribuir para a competitividade no seguro automotivo.
Prevenção e educação
A atualização do sistema de pontos, além de poder ajudar na precificação, também fortalece a agenda de prevenção no setor, o que reforça a cultura de responsabilidade no trânsito. Programas de incentivo à direção segura, bonificações por bom comportamento e campanhas educativas já utilizadas podem ganhar ainda mais destaque. A tendência é que as seguradoras desenvolvam benefícios específicos para motoristas com menor pontuação, estimulando uma lógica de recompensa baseada em desempenho. Por isso, é importante esclarecer para o cliente como a pontuação da CNH pode impactar o valor do prêmio e o acesso a vantagens contratuais. Plataformas digitais de gestão de carteira contribuem para monitorar perfis em tempo real e viabilizar abordagens preventivas e personalizadas.
Regulação e inovação caminhando juntas
A nova lógica de pontuação da CNH exige maior integração entre bases de dados públicas, tecnologia e inteligência analítica na construção de modelos preditivos mais consistentes. Para seguradoras, a capacidade de interpretar dados, utilizar telemetria e aplicar inteligência artificial será decisiva para gerar valor estratégico nesse novo contexto. Não se trata apenas de acompanhar um novo teto de pontos, mas de fortalecer uma cultura de gestão de risco fundamentada no comportamento do condutor. Na prática, isso significa revisar critérios de subscrição, ajustar políticas de precificação e investir em ferramentas capazes de cruzar informações sobre pontuação, tipo de infração, frequência de ocorrências e histórico de sinistros. Também implica capacitar equipes comerciais para traduzir esses dados em orientação clara ao cliente. Em um sistema cada vez mais baseado em dados, transformar informação qualificada em decisões técnicas e comerciais bem fundamentadas é relevante para manter um diferencial competitivo.
O novo mapa do risco no seguro auto
Nos últimos anos, a sinistralidade no segmento de automóveis apresentou crescimento relevante. A nova regra de pontuação surge como um instrumento para aprimorar a segmentação de risco e tornar o mercado mais equilibrado. O modelo escalonado de pontos, as propostas de modernização do exame e os incentivos a bons condutores podem servir como base para estratégias do mercado segurador. Em um cenário em que a sinistralidade pressiona resultados e os custos dos acidentes ultrapassam os danos materiais, a leitura qualificada do perfil do motorista se torna fundamental para equilibrar proteção, preço e sustentabilidade operacional. A nova regra da CNH reforça uma tendência já em curso: seguros cada vez mais personalizados, sustentados por telemetria, inteligência artificial e análise avançada de dados. Ao mesmo tempo, amplia a relevância de ações educativas e programas de incentivo, transformando a prevenção em parte estruturante do modelo de negócios. Ao incorporar critérios mais detalhados sobre comportamento no trânsito, o setor se adapta em direção a um modelo mais justo.


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