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Cães-robôs e fator humano: como a robótica autônoma se aplica ao setor segurador?

O avanço dos robôs autônomos abre possibilidades para a prevenção de sinistros e o monitoramento de patrimônios, mas também levanta discussões sobre o papel humano e as implicações da automação no setor.
Cães-robôs e fator humano: como a robótica autônoma se aplica ao setor segurador?

Cães-robôs: entre a autonomia tecnológica e a supervisão humana

Uma empresa dos Estados Unidos está oferecendo cerca de R$ 100 por hora para pessoas passearem com cães-robôs. Conforme divulgado no portal UOL Tilt, as caminhadas fazem parte de testes para aprimorar o desempenho das máquinas. Enquanto operadores humanos controlam os movimentos dos robôs, câmeras e sensores captam informações sobre o ambiente. De acordo com a matéria, segundo Stash Pomichter, fundador da Dimensional, os experimentos demonstraram que os sistemas de inteligência artificial ainda enfrentam dificuldades para operar os equipamentos sem intervenção humana. Apesar dos avanços em sensores, câmeras e inteligência artificial, a autonomia das máquinas ainda depende da supervisão de pessoas. Essa relação entre tecnologia e intervenção humana também interessa ao mercado de seguros, que pode encontrar na robótica novas ferramentas para inspeção de propriedades, monitoramento patrimonial e prevenção de riscos. Em paralelo, a medida levanta discussões sobre os impactos da automação e a importância do julgamento humano em atividades que envolvem segurança e tomada de decisões.

Seguros residenciais e empresariais ganham novas possibilidades

A robótica autônoma também pode abrir caminhos para serviços mais integrados nos segmentos residencial e empresarial. Em imóveis conectados, os cães-robôs poderiam atuar em conjunto com câmeras, alarmes, sensores de movimento e outros dispositivos de automação. Essa integração permitiria acompanhar as condições do patrimônio, encaminhar alertas diante de determinadas ocorrências e organizar registros que poderiam auxiliar na comunicação de um sinistro. No ambiente empresarial, as aplicações podem alcançar fábricas, centros logísticos, galpões e instalações que exigem monitoramento constante. Além da vigilância, os equipamentos poderiam auxiliar na identificação de problemas operacionais, contribuindo para evitar interrupções nas atividades e danos materiais. A combinação entre proteção securitária e recursos tecnológicos pode favorecer modelos de atendimento mais preventivos, com soluções adaptadas às características de cada imóvel ou operação.

Robótica autônoma pode ampliar o monitoramento e a prevenção de riscos

O monitoramento de ambientes residenciais, comerciais e industriais está entre as aplicações da robótica autônoma que podem interessar ao mercado de seguros. Com base numa matéria do O Globo, grandes empresas de tecnologia, como Meta, Amazon, Microsoft e Google, vêm direcionando parte dos mais de US$ 670 bilhões investidos em 2024 para soluções com cães-robôs, especialmente na vigilância de infraestruturas críticas, como centros de dados. Segundo o Business Insider, aproximadamente 500 mil robôs industriais, incluindo cães-robôs e drones, estão em operação, e esse número pode dobrar até 2030, movimentando US$ 21 bilhões. Equipados com câmeras e sensores, esses dispositivos conseguem registrar imagens, identificar alterações e transmitir informações em tempo real. Em instalações industriais, podem auxiliar na detecção de vazamentos, superaquecimento e falhas em equipamentos. Já em condomínios e estabelecimentos comerciais, funcionam como complemento aos sistemas de vigilância, identificando movimentações e situações suspeitas. Para as seguradoras, esses recursos podem tornar a avaliação de riscos mais precisa e frequente, permitindo reconhecer vulnerabilidades antes que provoquem prejuízos. Também facilitam inspeções em áreas extensas ou de difícil acesso, reduzindo a exposição dos profissionais a situações perigosas.

O fator humano continua presente na operação

Apesar dos avanços tecnológicos, a utilização de robôs autônomos não elimina a necessidade de profissionais especializados. Pelo contrário, a incorporação dessas ferramentas pode modificar as atribuições de corretores, técnicos, analistas de risco e equipes de sinistros. Enquanto os equipamentos realizam tarefas de observação, deslocamento e coleta de informações, os profissionais continuam responsáveis por interpretar situações complexas, avaliar circunstâncias específicas e orientar os clientes sobre as medidas mais adequadas. No trabalho dos corretores, por exemplo, o conhecimento sobre tecnologias de monitoramento pode agregar valor à consultoria. Ao compreender as necessidades de cada cliente, esses profissionais podem indicar soluções que combinem coberturas securitárias, dispositivos inteligentes e estratégias de prevenção. Nas seguradoras, a integração entre pessoas e máquinas também exige equipes preparadas para interpretar dados, supervisionar sistemas automatizados e identificar possíveis falhas. A tecnologia pode acelerar determinadas atividades, mas decisões que envolvem análise contextual, responsabilidade e relacionamento ainda demandam participação humana.

Privacidade e segurança desafiam a adoção da tecnologia

A presença de robôs em espaços públicos e privados também levanta questões relacionadas à proteção de dados e à segurança digital. Como esses dispositivos podem captar imagens, registrar movimentações e coletar informações sobre ambientes, sua utilização precisa respeitar critérios claros de finalidade, armazenamento e compartilhamento dos registros. No Brasil, a LGPD estabelece diretrizes para o tratamento de informações pessoais, aspecto que deve ser considerado pelas seguradoras e empresas responsáveis pela operação dos equipamentos. A cibersegurança é outro ponto de atenção. Por dependerem de conectividade e sistemas digitais, os robôs podem estar sujeitos a invasões, manipulação de dados e interrupções de funcionamento. Uma vulnerabilidade nesse ambiente pode comprometer tanto o monitoramento quanto a confiabilidade das informações utilizadas na avaliação dos riscos. Também será necessário considerar os custos de aquisição, manutenção e atualização dos equipamentos, além da integração com as estruturas tecnológicas já utilizadas pelas companhias. Portanto, a implementação precisa demonstrar benefícios concretos e estar alinhada às necessidades de cada operação.

O futuro dos seguros depende do equilíbrio entre pessoas e máquinas

A popularização dos cães-robôs evidencia que a robótica autônoma está avançando para além dos ambientes industriais e experimentais. No mercado de seguros, essa evolução pode contribuir para melhorar inspeções, identificar vulnerabilidades e desenvolver estratégias mais eficientes de prevenção. Entretanto, o principal diferencial não estará somente na capacidade das máquinas de executar tarefas com autonomia, mas na maneira como suas funcionalidades serão incorporadas ao trabalho das pessoas. A tecnologia pode fornecer dados e agilizar processos, enquanto a experiência humana permanece determinante na interpretação de cenários e na construção de soluções adequadas aos clientes. Nesse contexto, seguradoras, corretores e profissionais do ramo precisam acompanhar as mudanças sem perder de vista a dimensão humana da proteção. Afinal, mesmo em um mercado cada vez mais conectado e automatizado, a confiança, o conhecimento técnico e a capacidade de compreender as necessidades de cada cliente continuam sendo parte importante da entrega de valor do seguro.

Postado em
4/11/2026
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